Tráfico de ovos de aves raras movimentou R$ 90 milhões, aponta Polícia Federal
Investigação da Polícia Federal revelou organização criminosa que retirava ovos de espécies ameaçadas no Brasil para vender na Europa.
Por Redação Diário Local
Uma organização criminosa internacional movimentou R$ 90 milhões com o tráfico de ovos de aves nativas do Brasil, informou a Polícia Federal. O grupo retirava ovos de espécies ameaçadas de extinção da natureza para comercializá-los no exterior por valores de até R$ 6 mil cada um.
A investigação teve início após a detenção de Erika Zumofen-Göllesz no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. A suíça tentava embarcar para seu país escondendo 24 ovos das espécies papagaio-de-cara-roxa e papagaio-charão — aves exclusivas do Brasil e em risco de extinção — envoltos em meias de seda junto ao corpo.
Segundo a Polícia Federal, a organização atuava há quase 20 anos e já teria realizado cerca de 120 viagens internacionais, transportando uma média de 20 ovos por trajeto. A maior movimentação ocorria entre os meses de agosto e março, período de reprodução das aves na Mata Atlântica.
Como funcionava o esquema?
A principal hipótese dos investigadores é que a carga era retirada de ninhos em unidades de conservação e áreas de reserva em Bocaiúva do Sul, no Paraná. Com a apreensão do celular da suíça detida no Rio, a Polícia Federal identificou contatos frequentes com uma família em Curitiba.
Marco Schwarz, sua esposa e sua filha são suspeitos de fornecer os ovos aos traficantes por meio de uma loja de equipamentos de captura e manejo de animais operada na residência da família. Durante buscas em Curitiba, a Polícia Federal apreendeu 61 animais empalhados e 130 partes de bichos, como crânios e dentes de espécies como o mico-leão-de-cara-dourada e primatas colombianos.
Prisões na Europa e no Brasil
A operação contou com o apoio das polícias da Suíça e da Espanha. Após monitoramento, agentes brasileiros acompanharam o trajeto de Marco Schwarz até a Ilha Gran Canária, na Espanha, onde ele e o suíço Hans Zehnder, proprietário de viveiros na Suíça, foram presos em flagrante em um hotel.
No local da prisão na Espanha, as autoridades apreenderam o equivalente a R$ 260 mil em euros e francos suíços. Os homens foram transferidos para Madri e aguardam o processo de extradição para o Brasil. Em Curitiba, Rita Lydia Schwarz e Cláudia Fabiana Schwarz foram presas. A defesa de Cláudia afirmou que a investigada está em liberdade provisória.
A suíça Erika Zumofen-Göllesz é considerada foragida pela Polícia Federal.
