Diário Local
Transporte

Movimento de passageiros nos trens do Rio está 45% abaixo do nível pré-pandemia

Volume de usuários do sistema ferroviário fluminense ainda não recupera patamares de 2019 e enfrenta transição de operadora.

Por Redação Diário Local

O sistema ferroviário do Rio de Janeiro ainda não recuperou o nível de passageiros registrado antes da pandemia de Covid-19. O volume de usuários em 2025 permanece cerca de 45% abaixo do registrado em 2019, último ano antes da crise sanitária, e quase 50% inferior ao pico histórico alcançado em 2016.

De acordo com levantamento baseado na movimentação dos trens, o sistema registrou 89,5 milhões de passageiros em 2025, o que representa um crescimento de aproximadamente 4,9% em comparação a 2024. Embora tenha sido a primeira alta anual desde 2022, o volume segue distante dos 181,1 milhões de embarques realizados em 2016, ano de maior movimento da malha.

A queda brusca no uso dos trens teve início com a pandemia, quando o número de passageiros recuou de cerca de 164 milhões, em 2019, para 98 milhões em 2020 — uma retração de 40,3% de um ano para o outro. Após recuos em 2021, 2023 e 2024, o sistema começou a apresentar uma leve recuperação no último ano completo.

Como mudou o perfil dos embarques?

A forma de acesso aos trens também apresentou mudanças estruturais. O uso do sistema Riocard Mais saltou de 57,6% do total em 2019 para 73,8% em 2025. Em sentido oposto, o uso do cartão pré-pago sofreu uma forte retração de 89,3%, passando de 31 milhões de utilizações para 3,3 milhões no mesmo período.

O perfil dos passageiros também registrou alteração com o aumento da presença de idosos, que subiram de 5,4% para 7,7% dos embarques. Além disso, as viagens gratuitas para estudantes, idosos e pessoas com deficiência ou doenças crônicas chegaram a representar 8,9 milhões de acessos em 2025, o equivalente a 10% do total.

A tendência de crescimento nas gratuidades continuou nos primeiros meses de 2026. Nesse período, essas categorias somaram 2,21 milhões de acessos, um aumento de aproximadamente 12% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

Quais são os desafios da nova operadora?

A recuperação do movimento ocorre em meio à transição da gestão do sistema. Desde maio deste ano (2026), a operação passou da SuperVia para a TrensRJ. A nova concessionária assumiu o serviço com desafios financeiros e estruturais, incluindo uma dívida de R$ 1,9 bilhão da antiga operadora com o BNDES.

Além dos débitos com o banco, a TrensRJ enfrenta problemas como dívidas com fornecedores e deficiências operacionais, que incluem redução da frota, acúmulo de lixo nas vias e falhas de acessibilidade. A nova concessionária comunicou ao Governo do Estado que pendências financeiras da antiga operadora podem comprometer serviços essenciais.

Em documento enviado à Secretaria Estadual de Transportes (Setrans) e à Procuradoria-Geral do Estado (PGE), a TrensRJ alertou que uma eventual interrupção de contratos com terceiros pode afetar a manutenção da infraestrutura, a recuperação de trens, a bilhetagem eletrônica e o apoio operacional.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.