Venezuelano em SP vivencia 10 horas de angústia após terremotos em Caracas até localizar pai e irmão
Professor de educação física ficou sem contato com pai e irmão durante tremores que deixaram 188 mortos e mais de 1.500 feridos na capital venezuelana.
Por Diário Local
Um venezuelano residente em São Paulo há 10 anos vivenciou cerca de 10 horas de angústia sem notícias do pai e do irmão após dois terremotos atingirem a região de Caracas na noite de quarta-feira (24). Segundo o governo venezuelano, o balanço chegou a 188 mortos e mais de 1.500 feridos.
Roberto Mário Ávila Sansobrino, professor de educação física, descreveu o momento da descoberta. Estava acompanhando uma partida do Brasil quando uma amiga o avisou sobre o terremoto na Venezuela. Imediatamente tentou contato com os familiares que vivem em Caracas — o pai e o irmão — mas não conseguiu localizar ninguém.
"Eu estava lá assistindo o jogo do Brasil e uma amiga me mandou: 'você viu que teve um terremoto?'. Eu falei: 'não'. Até então não tinha tocado que era na Venezuela. Aí eu saí, mandei mensagem, tentei ligar para meu irmão e meu pai, mas ninguém atendia. Desesperador", relatou.
O período sem resposta se estendeu até o dia seguinte. Por volta das 17h de quinta-feira, o irmão finalmente enviou uma mensagem tranquilizando Roberto. Os familiares estavam seguros — no momento do tremor, estavam na casa de um amigo em outro bairro. A falta de contato anterior ocorreu porque a bateria dos celulares descarregou.
"Na hora que teve o terremoto, eles estavam na casa de um amigo em outro bairro. Não caiu nada, só tremeu. Eles ficaram por lá e ficaram sem bateria do celular, por isso não conseguiram mandar mensagem", explicou Roberto. Ele também confirmou que o prédio onde vivem não sofreu danos, apesar do vizinho ter sido destruído.
"Foi um alívio. Faz anos que não os vejo, mas sempre estamos nos falando por mensagem, mandamos fotos. O prédio deles não sofreu danos, mas o prédio vizinho ficou destruído. Também perguntei sobre os outros parentes, mas estão todos bem", completou.
Destruição em larga escala
Os dois terremotos, ocorridos em intervalo de menos de um minuto, provocaram destruição significativa em Caracas e arredores. De acordo com Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento venezuelano, foram registrados 250 edifícios totalmente derrubados ou com danos graves, sendo este balanço provisório. Grupos de moradores das áreas afetadas registram mais de 24 mil desaparecidos.
Os tremores, com magnitudes 7,2 e 7,5, foram os mais fortes registrados no país em mais de 100 anos. O epicentro do terremoto mais forte localizou-se na cidade de El Guayabo, a 168 quilômetros de Caracas. Cidades costeiras próximas à capital, como La Guaira, sofreram destruição severa. O aeroporto internacional de Caracas foi fechado.
A profundidade reduzida dos abalos sísmicos intensificou o impacto, assim como sua ocorrência em áreas densamente povoadas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos estimou que o número de mortos possa ultrapassar 10 mil pessoas com base nessas variáveis.
Equipes de resgate trabalham para localizar desaparecidos e resgatar pessoas dos escombros. Vários países, entre eles Estados Unidos e Brasil, anunciaram envio de equipes de resgate para auxiliar nas buscas e fornecer ajuda humanitária.
