Último veterano da 2ª Guerra Mundial no ES recebe medalha da ONU aos 103 anos
Agostinho Ferreira da Silva, ex-combatente da FEB, foi homenageado com a condecoração 'Soldado da Paz' em Guaçuí
Por Redação Diário Local
O último veterano da Segunda Guerra Mundial que reside no Espírito Santo foi homenageado com uma medalha da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira (23). Agostinho Ferreira da Silva, de 103 anos, recebeu a condecoração 'Soldado da Paz' durante uma solenidade no Tiro de Guerra de Guaçuí, no Sul do estado.
A honraria foi entregue pelo presidente e por integrantes da Associação Capixaba dos Boinas-Azuis, grupo que atua nas Forças de Manutenção da Paz da ONU. O ex-militar foi acompanhado por familiares e outros militares durante o evento, onde se emocionou ao ser reconhecido pelo patriotismo e heroísmo.
Agostinho Ferreira da Silva foi integrante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), enviada para combater na Itália em 1945. Durante a cerimônia, além da medalha da ONU, o veterano recebeu uma nova versão da medalha de guerra 'Sangue do Brasil', para substituir a peça original, que apresentava sinais de desgaste pelo tempo.
Histórico militar na Itália
A medalha 'Sangue do Brasil' é destinada a homenagear militares brasileiros que foram feridos por inimigos durante as operações em território italiano, conforme o Decreto-Lei nº 7.709, de 5 de julho de 1945. O veterano conquistou a insígnia originalmente após ser atingido por estilhaços de uma granada.
O ferimento ocorreu em 17 de abril de 1945, na região de Castel d'Aiano, na Itália. Na época do combate, Agostinho tinha 22 anos de idade. A nova medalha entregue nesta quarta-feira (23) simboliza o reconhecimento de todo o seu sacrifício nos campos de batalha.
Raridade de sobreviventes
A homenagem ocorre em um momento de extrema raridade histórica. Segundo dados do Censo Permanente da FEB, apenas 19 combatentes sobreviventes da Segunda Guerra Mundial foram identificados vivos em todo o Brasil até setembro de 2026.
O neto do veterano, o advogado Felipe Campos, explicou que Agostinho convive com a doença de Alzheimer. No entanto, ele mantém a capacidade de se emocionar e recordar fatos importantes sempre que participa de homenagens oficiais com a presença do Exército Brasileiro.
Para a família, o ex-combatente é um exemplo de caráter e simplicidade. O advogado destacou ainda a importância que o avô teve na trajetória de estudo e vida de seus familiares ao longo das décadas.
