Serviço de vigilância clandestino no Rio chega a 100 mil profissionais, estima federação
Estimativa da Fenavist aponta que o número de profissionais atuando sem regularidade dobra o efetivo legal no estado.
Por Redação Diário Local
O número de profissionais de segurança que atuam de forma irregular no Estado do Rio de Janeiro pode ultrapassar 100 mil pessoas, segundo estimativas da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist). A entidade aponta que o efetivo clandestino é mais que o dobro dos 53.454 vigilantes que trabalham dentro das normas legais no estado.
O cenário de atuação informal ganhou destaque após o caso de Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, morto na madrugada de 12 de agosto (12), em Copacabana. O homem foi alvo de um espancamento por um segurança que integrava um grupo de cinco pessoas para vigiar áreas em ruas do bairro, como a Barata Ribeiro e a Duvivier.
Investigação sobre segurança em Copacabana
A 12ª DP (Copacabana), responsável pela apuração do crime, investiga a atuação desse grupo e de outros que possam estar operando nas proximidades da orla. O delegado Ângelo Lages afirmou que o foco inicial é o grupo envolvido no caso da vítima e que pretende desmembrar a investigação para identificar outros núcleos de vigilância irregular na região.
Segundo o depoimento de um dos suspeitos presos, Davi Santos Machado, o grupo recebia R$ 1.500 por mês para realizar a vigilância de trechos específicos. Além dos seguranças, a polícia identificou comerciantes que teriam contratado o serviço da equipe, e eles deverão ser chamados para prestar depoimento, conforme prevê a Lei nº 14.967/2024.
Flávio Sandrini, presidente da Federação das Empresas de Segurança, reforça que a legislação determina que o contratante deve verificar a regularidade formal da empresa e estabelece sanções para pessoas físicas ou jurídicas que utilizem segurança privada em desconformidade com a lei.
Crescimento do setor informal
O Sindicato dos Vigilantes do Município do Rio relata um aumento da atividade clandestina em locais de intenso comércio, citando a Zona Sul, Niterói, São Gonçalo e Madureira como áreas onde se encontra pessoas sem qualificação. Um dado que corrobora essa tendência é o aumento de 17,61% no número de profissionais com cursos de formação vencidos entre 2022 e 2026.
A atividade de vigilância é regulamentada pela Polícia Federal e exige requisitos como nacionalidade brasileira, idade mínima de 21 anos, curso de formação específico, ausência de antecedentes criminais e vínculo com empresas autorizadas. A realização de rondas ou vigilância em vias públicas, com ou sem armas, configura serviço clandestino.
O diretor do sindicato, Leandro Siqueira, apontou ainda que a fiscalização enfrenta dificuldades e que a própria Delegacia de Segurança Privada (Delesp) não possui efetivo suficiente para conter a prática.
