Violência e uso de ônibus como barricada aumentam pedidos de afastamento de rodoviários no Rio
Crescimento de sequestros de veículos e insegurança eleva demanda por atendimento psicológico e trocas de linha entre motoristas no Rio.
Por Redação Diário Local
O uso de ônibus sequestrados para serem utilizados como barricadas por criminosos no Rio de Janeiro tem provocado um aumento nos pedidos de troca de linha e afastamento de motoristas. Segundo o Sindicato dos Rodoviários, a insegurança constante na rotina de trabalho tem impactado diretamente a saúde mental dos profissionais e de seus familiares.
Até o momento, a entidade recebeu mais de 310 pedidos de afastamento por parte dos trabalhadores. O movimento reflete o receio dos motoristas diante de ocorrências como sequestros de veículos, incêndios e mudanças forçadas de itinerários para atender às demandas do tráfico de drogas.
Nesta quarta-feira (26), o cenário de tensão foi registrado em Cascadura, na Zona Norte do Rio, onde 18 ônibus foram usados como barricadas. No mesmo dia, outros cinco veículos foram utilizados para o mesmo fim na Cidade de Deus.
O balanço do Sindicato dos Rodoviários aponta que, entre janeiro e agosto de 2026, ao todo 50 ônibus foram usados como bloqueios por traficantes. O registro detalhado indica que foram 14 veículos em janeiro, cinco em março e oito em julho.
O mês de agosto concentra a maior parte das ocorrências deste ano, com 23 casos registrados até agora. O vice-presidente da instituição, José Carlos Sacramento, afirma que o cenário demonstra uma perda de controle estatal sobre determinados territórios.
Impacto na saúde mental dos trabalhadores
A violência sistemática tem gerado um aumento expressivo na procura por suporte psicológico. O serviço, oferecido pelo sindicato para funcionários e seus familiares, registrou um salto significativo no volume de atendimentos.
Em junho do ano passado, o serviço realizava cerca de 25 atendimentos semanais. Atualmente, a demanda subiu para aproximadamente 80 consultas por semana, de acordo com a diretoria da entidade.
O vice-presidente da categoria ressaltou que a agenda para marcação de consultas segue em constante crescimento devido ao trauma psicológico causado pela atuação do crime organizado nas rotas de transporte.
Histórico de assaltos e horários de risco
Além do uso de veículos como barricadas, o setor lida com o alto índice de roubos a coletivos. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que, ao longo de 2025, o Rio de Janeiro registrou 4.449 assaltos a ônibus.
O levantamento do ISP indica que a maioria desses crimes ocorre em dois períodos específicos do dia: entre 4h30 e 7h, e entre 17h e 21h30. Esses horários coincidem com os períodos de maior fluxo de passageiros.
As regiões com maior concentração de assaltos incluem trechos da Avenida Brasil, entre o bairro de Campo Grande, na Zona Oeste, e o Caju, na Zona Portuária.
Diante do quadro, motoristas têm solicitado formalmente a troca de suas linhas de atuação para evitar áreas de maior conflito e risco de sequestro de veículos por criminosos.
O sindicato monitora o impacto dessas ocorrências tanto na operação do transporte público quanto na integridade física e psicológica dos profissionais que atuam nas ruas da cidade.
