Ações de fabricantes de chips de memória caem até 50% em três semanas, mas gestora mantém aposta em IA
Fabricantes de semicondutores enfrentam forte correção enquanto mercado questiona retorno de investimentos em inteligência artificial
Por Diário Local
Fabricantes de chips de memória enfrentam uma correção brusca no mercado, com ações registrando quedas entre 40% e 50% em um intervalo de 21 dias. O movimento de desvalorização ocorre enquanto o índice S&P 500 atinge novos recordes, evidenciando uma volatilidade acentuada no setor de semicondutores.
A queda afetou nominalmente empresas como a Micron, que recuou aproximadamente 25%, alimentando discussões sobre um possível topo de ciclo no setor. O cenário atual reflete uma rotação de capital dentro do segmento de tecnologia: enquanto as fabricantes de memória perdem valor, empresas que gerenciam centros de dados têm apresentado recuperação.
A Meta, por exemplo, registrou alta de 10% em um único dia, indicando que o capital está se deslocando das camadas de hardware de memória para as empresas de infraestrutura e serviços de nuvem.
Por que as ações de semicondutores caíram?
O principal temor do mercado é o chamado 'pico de gastos'. Investidores questionam se o retorno financeiro sobre os investimentos bilionários realizados em infraestrutura de inteligência artificial (IA) virá no prazo que o mercado espera.
Outros fatores que pressionam o setor incluem a demanda da Apple por preços de componentes mais baixos e a concorrência vinda de modelos chineses de código aberto, que operam com custos menores e alta eficiência.
No início do ano, o setor viveu o oposto: o preço das memórias saltou até cinco vezes, beneficiando gigantes como Samsung, SK Hynix e Micron. Naquele período, empresas de nuvem como Amazon, Microsoft, Google e Oracle sofriam com o peso dos investimentos massivos em infraestrutura.
O paradoxo entre lucros e volatilidade
Apesar da forte oscilação nos preços das ações, os dados de performance mostram um contraste. Os lucros das empresas que compõem o S&P 500 estão crescendo acima de 20% ao ano, superando as projeções iniciais do mercado, que esperava uma alta entre 13% e 14%.
Esse cenário revela um paradoxo no setor de tecnologia: uma volatilidade emocional muito alta para os investidores, contrastando com o crescimento real dos lucros das companhições.
