Fundador do Banco Master pediu dossiê contra CEO do Itaú, aponta Polícia Federal
Investigação da operação Compliance Zero revela diálogos sobre levantamento de dados pessoais e patrimoniais de Milton Maluhy
Por Diário Local
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, pediu ao publicitário Thiago Miranda que produzisse um levantamento sobre Milton Maluhy, CEO do Itaú, e sua esposa, Camila Moretti Maluhy. As informações foram reveladas nesta quinta-feira (9) durante a 10ª fase da operação Compliance Zero.
Nos diálogos recuperados pelos investigadores, Vorcaro afirmou ao publicitário que precisava fazer um levantamento sobre Maluhy, alegando que o executivo estava lhe causando problemas. Após a solicitação, Miranda confirmou que realizaria o trabalho e, posteriormente, informou que o material estava concluído.
Entre os arquivos compartilhados entre os dois, a Polícia Federal encontrou um documento intitulado “Família Maluhy Relatório Sobre Execução Fiscal – Caso Milton Maluhy Filho e Camila Moretti Maluhy”. O arquivo continha dados pessoais e patrimoniais de Milton Maluhy e de Camila Moretti Maluhy, apresentando a identidade visual da agência vinculada a Thiago Miranda.
Monitoramento de jornalistas
A investigação, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro André Mendonça, aponta que o mesmo método de coleta de informações foi utilizado contra profissionais do jornalismo. Segundo a Polícia Federal, houve discussões entre Miranda e Vorcaro sobre como lidar com reportagens feitas pela jornalista Malu Gaspar sobre o Banco Master.
A PF afirma que existia um levantamento constante de dados de natureza pessoal, profissional e patrimonial da jornalista. O objetivo do monitoramento seria encontrar informações sensíveis ou desabonadoras para constranger, expor ou descredibilizar a profissional publicamente.
Além de Malu Gaspar, a investigação aponta que o publicitário abordou outras duas jornalistas, incluindo Consuelo Dieguez. De acordo com a Polícia Federal, Miranda chegou a encaminhar capturas de tela de conversas com Dieguez para Vorcaro, após a jornalista se recusar a retirar um conteúdo publicado sobre a instituição financeira.
Sobre a operação Compliance Zero
As apurações fazem parte da operação Compliance Zero, autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. O caso passou a tramitar no STF em dezembro do mesmo ano e, desde fevereiro de 2026, está sob a relatoria do ministro André Mendonça.
Daniel Vorcaro está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília após ser preso novamente em março de 2026. O ex-banqueiro apresentou uma proposta de delação premiada, que deve ser analisada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal nas próximas semanas.
