Empresa no Espírito Santo registra mais de 15 mil dias de atestado em seis meses
Grupo Carone contabilizou 15.705 dias de afastamento entre janeiro e junho; empresários investigam possíveis fraudes.
Por Redação Diário Local
O Grupo Carone, que atua no segmento de supermercados na Grande Vitória, registrou 15.705 dias de atestado médico entre os meses de janeiro e junho deste ano. O número representa uma média de aproximadamente três dias de afastamento para cada um dos 5.500 funcionários da empresa.
O alto volume de documentos médicos tem levado empresários dos setores supermercadista e da construção civil no Espírito Santo a realizarem investigações próprias para coibir possíveis fraudes. A especialista em Recursos Humanos Gisélia Freitas explica que os motivos das ausências podem variar entre problemas de saúde reais, como saúde mental e sobrecarga, até o uso indevido ou fraude em documentos.
Para o CEO do Grupo Carone, Wilian Carone, a empresa monitora os postos de saúde que mais emitem os documentos para entender as circunstâncias das emissões. Segundo o executivo, o grupo tem buscado diálogo com secretarias municipais de saúde para tratar o tema.
Impactos no setor econômico
O problema de atestados tem gerado prejuízos operacionais e dificuldades de planejamento. No setor de supermercados, o empresário José Henrique Neffa, do Supermercado São José, relatou dificuldades com a facilidade de obtenção de documentos em algumas unidades de saúde. Ele afirmou que o problema chegou a paralisar um projeto de expansão da marca na região metropolitana.
Na construção civil, a situação é agravada pela escassez de mão de obra. O diretor de Economia e Estatística do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon-ES), Eduardo Borges, defende que a verificação de autenticidade dos atestados deveria ser feita de forma virtual e on-line para evitar gastos extras com contratações emergenciais.
A Justiça do Trabalho no Espírito Santo já confirmou demissões por justa causa em casos de falsificação de documentos médicos. Em um dos processos, um trabalhador da construção civil foi condenado a arcar com custos de cerca de R$ 5 mil após ter a demissão validada pela Justiça.
Verificação e combate a fraudes
Apesar das irregularidades, a maioria das faltas decorre de doenças reais. Segundo o vice-presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin, cerca de 80% dos atestados entregues pelos setores afetados são idôneos.
Para aumentar o controle, o presidente da Associação Capixaba dos Supermercados (Acaps), João Falqueto, informou que muitas empresas adotam a prática de encaminhar funcionários com atestados de três a cinco dias para uma nova avaliação com o médico do trabalho. Ele também destacou que mapeamentos internos detectaram trabalhadores que viajam até 40 quilômetros para buscar documentos em outros municípios.
A Acaps informou que iniciou diálogos com secretarias municipais de saúde e com o Conselho Regional de Medicina (CRM-ES) entre agosto e setembro para combater as inconsistências. Os estabelecimentos têm sido orientados a registrar boletins de ocorrência na Polícia Civil ao constatarem fraudes.
