Dexco registra prejuízo líquido de R$ 142 milhões no terceiro trimestre de 2026
Resultado foi impactado por itens não recorrentes, fechamento de fábricas e provisão de crédito para empresa em recuperação judicial
Por Redação Diário Local
A Dexco registrou prejuízo líquido de R$ 142 milhões no terceiro trimestre de 2026. O resultado marca uma reversão em relação ao lucro líquido de R$ 14,2 milhões obtido no mesmo período do ano anterior.
No acumulado de 2026, a companhia acumula prejuízo líquido de R$ 55,4 milhões, contrastando com o lucro de R$ 111,3 milhões registrado entre janeiro e setembro de 2025. O desempenho foi impactado por itens não recorrentes, provisão para perda de crédito e aumento nas despesas com juros da dívida.
Os itens não recorrentes tiveram peso de R$ 136,7 milhões no balanço. Desse total, R$ 118,4 milhões foram destinados a reestruturações e ao fechamento de operações, enquanto R$ 11,8 milhões decorreram da marcação a valor justo de investimentos da DX Ventures.
Por que o resultado foi afetado?
A companhia tem buscado reduzir suas operações para se adequar à demanda do mercado de materiais de construção. Recentemente, o grupo vendeu a fábrica de revestimentos cerâmicos de Urussanga (SC) e encerrou as atividades da unidade de louças sanitárias em Cabo de Santo Agostinho (PE).
Essas movimentações geraram baixas contábeis de máquinas, equipamentos e estoques. Sem o efeito desses itens não recorrentes, o prejuízo líquido recorrente da empresa teria sido de R$ 5,5 milhões, uma redução de 87,1% na comparação anual.
A Dexco também registrou uma provisão de R$ 20,5 milhões em despesas com vendas. O valor refere-se a perdas de crédito concedido à Bartira, empresa de móveis do grupo Casas Bahia, que se encontra em recuperação judicial. O crédito em questão é fruto de vendas parceladas de painéis de madeira.
Desempenho das divisões e receita
A receita líquida da empresa subiu 9,8%, totalizando R$ 2,33 bilhões no trimestre. O crescimento foi puxado pela Divisão Madeira, que registrou alta de 16,2% devido a reajustes de preços, venda de produtos de maior valor agregado e de bases florestais.
Em contrapartida, a divisão de Metais e Louças teve recuo de 2,1% na receita, enquanto o setor de Revestimentos Cerâmicos apresentou queda de 5,2%. A joint venture LD Celulose gerou um ganho de R$ 2,2 milhões no período, alta de 57,6% em relação ao ano passado.
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 11,4% na comparação anual, fechando em R$ 420,7 milhões. No entanto, no critério ajustado e recorrente, o indicador subiu 31,6%, atingindo R$ 585,4 milhões, com margem de 25,1%.
Dívida e fluxo de caixa
A dívida líquida da Dexco atingiu R$ 4,78 bilhões no terceiro trimestre, o que representa uma queda de 6,9% em relação ao segundo trimestre do ano. A alavancagem da companhia ficou em 2,36 vezes, patamar inferior às 2,72 vezes registradas no terceiro trimestre de 2025.
A redução do endividamento foi sustentada pela geração de caixa operacional e pelos recursos provenientes da venda da planta de Urussanga. O fluxo de caixa livre total saltou para R$ 636 milhões no terceiro trimestre, comparado aos R$ 121 milhões do segundo trimestre.
