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Economia

Brasil cria 121 mil vagas formais em setembro e número fica abaixo do esperado pelo mercado

Saldo de empregos com carteira assinada em setembro registrou 121,3 mil novas vagas, número inferior às projeções de analistas.

Por Redação Diário Local

O mercado de trabalho formal no Brasil registrou a criação líquida de 121.305 vagas com carteira assinada em setembro, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego divulgados nesta quarta-feira (4). O número ficou abaixo das expectativas de analistas do mercado, que projetavam a abertura de cerca de 180 mil a 185 mil postos.

A desaceleração no ritmo de contratações reflete o impacto da política monetária restritiva. Com a taxa de juros (Selic) em 13,75%, a atividade econômica tem demonstrado sinais de perda de fôlego. De acordo com levantamento da consultoria 4Intelligence, as admissões recuaram 1,8% em comparação à divulgação anterior, após ajustes sazonais.

Como o setor de serviços sustentou os dados?

A análise setorial mostra que o resultado de setembro foi sustentado pelo setor de Serviços, que apresentou um saldo positivo de 40 mil vagas. Os principais destaques dentro desse segmento foram as áreas de saúde, atividades administrativas e transportes.

Em contrapartida, a Indústria registrou a perda de 14,3 mil postos, enquanto a Agropecuária recuou em 4,4 mil vagas. O Comércio apresentou o desempenho mais preocupante no acumulado de 2026, com uma queda de 90,3% na geração de vagas formais em relação ao mesmo período do ano anterior.

Por que o comércio sofre maior impacto?

O desempenho negativo do varejo é influenciado pelo encarecimento do financiamento ao consumo, o que atinge diretamente setores como móveis e eletroeletrônicos, dependentes de parcelamento. Somam-se a isso fatores estruturais, como a migração de empregos do varejo tradicional para a logística do e-commerce.

Outro fator relevante apontado pela 4Intelligence é o avanço das apostas esportivas, as chamadas “bets”. Estudos indicam que o consumo de vestuário tem sido afetado pelo hábito dos apostadores. O cenário é agravado pelo fim da isenção tributária para compras internacionais de pequeno valor.

Quais são as projeções para o futuro?

Em razão do cenário de desaceleração, a 4Intelligence revisou para baixo suas estimativas para 2026, projetando a criação de 900 mil vagas para o ano, contra os 950 mil previstos anteriormente. Para 2027, a expectativa é de uma redução maior, com a criação de 785 mil postos de trabalho.

O economista da XP, Rodolfo Margato, também projeta um cenário desafiador para 2027, estimando a criação de 420 mil vagas líquidas devido ao enfraquecimento da atividade doméstica, o que pode elevar custos salariais e gerar escassez de mão de obra em setores específicos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.