Governo planeja remanejar R$ 20 bilhões para cumprir promessas no Orçamento de 2027
Equipe econômica trabalha para ajustar contas e acomodar gastos com Bolsa Família e outros programas prometidos em campanha.
Por Redação Diário Local
A equipe do governo federal trabalha para realizar o remanejamento de pelo menos R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027. A medida busca acomodar gastos e promessas anunciadas durante a campanha eleitoral que não estavam previstas na versão atual das contas públicas.
Entre os principais itens que exigem novos recursos estão o reajuste do programa Bolsa Família, com custo de R$ 22 bilhões, a ampliação do Pé-de-Meia, estimada em R$ 2 bilhões, o programa Desenrola 3.0, de R$ 5 bilhões, e o Pix Mei, de R$ 1 bilhão.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, informou que o aumento no Bolsa Família pode ser viabilizado por meio de uma sobra de recursos prevista no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo Moretti, a redução na projeção da Previdência permite que parte desses valores seja remanejada para garantir o reajuste do benefício.
Como o governo cumprirá a meta fiscal?
Os ajustes orçamentários são fundamentais para o cumprimento da meta fiscal estabelecida. Para 2027, o centro da meta é um superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o que equivale a R$ 73,2 bilhões.
Existe um intervalo de tolerância de 0,25% do PIB para mais ou para menos. Dessa forma, a meta é considerada cumprida caso o governo alcance um superávit de, no mínimo, R$ 36,6 bilhões.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os trabalhos para garantir o equilíbrio das contas começaram na última segunda-feira (27). Ele destacou que serão apresentadas medidas legais, por meio de um Projeto de Lei Complementar, para assegurar a segurança jurídica no cumprimento do objetivo.
O cenário das contas públicas
O resultado primário é a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública. Em 2025, o governo central registrou um déficit primário de R$ 13 bilhões, equivalente a 0,1% do PIB, embora a meta fiscal daquele ano tenha sido cumprida.
Já para 2026, a meta estabelecida é de um superávit fiscal de 0,25% do PIB, cerca de R$ 35 bilhões. A dívida bruta do governo geral atingiu 82,9% do PIB, o que representa R$ 11,1 trilhões, em setembro deste ano.
