Ações brasileiras podem subir 11% no curto prazo após 1º turno, prevê JPMorgan
Banco projeta reprecificação rápida de ativos e queda do dólar para o patamar de R$ 4,95 após resultado das urnas
Por Redação Diário Local
O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais deve provocar uma forte reprecificação dos ativos brasileiros, com potencial de alta de até 11% para as ações no curto prazo, segundo avaliação do JPMorgan. O banco também projeta que o dólar possa testar a região de R$ 4,95.
A análise do banco leva em conta o desempenho no primeiro turno, em que o senador Flávio Bolsonaro terminou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. Um "terceiro bloco", composto majoritariamente por candidatos de centro e centro-direita, somou 7,8% dos votos.
De acordo com o relatório, o segundo turno está marcado para o dia 25 de outubro (25). O JPMorgan observa que o banco trabalha com uma potencial expansão de 20% a 25% nos múltiplos das ações brasileiras, que atualmente negociam a cerca de 8,9 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses.
Como funciona a projeção para a Bolsa?
O banco estima que parte relevante desse movimento de valorização possa ocorrer rapidamente. Na projeção do JPMorgan, as ações poderiam incorporar imediatamente pelo menos metade desse potencial, o que equivale a uma alta aproximada de 10% a 11%.
A segunda metade da valorização dependeria de medidas concretas para a redução dos juros. Para que o cenário de alta seja comparável ao observado a partir de 2016, o relatório aponta que seria necessária uma agenda que combine disciplina fiscal, reformas estruturais e um ambiente externo favorável.
O que esperar do dólar e dos juros?
No mercado de câmbio, o JPMorgan espera uma reação significativa. Com o mercado de previsão atribuindo 85% de probabilidade à vitória de Flávio Bolsonaro, o banco considera factível uma cotação do dólar ao redor de R$ 4,80 nas próximas semanas, com o preço podendo atingir R$ 4,95 para incorporar o cenário de transição.
Quanto aos juros, a expectativa é de queda das taxas. O banco considera atrativas posições aplicadas no DI de janeiro de 2037, com alvo de 13%, ante o fechamento de 14,16% registrado na sexta-feira (3).
Impacto no Congresso e no crédito
A leitura positiva do banco também decorre do resultado das eleições para o Legislativo. Partidos de direita obtiveram desempenho expressivo, com o PL ampliando sua bancada no Senado para quase 30 das 81 cadeiras e com previsão de superar 110 deputados na Câmara.
Essa configuração parlamentar poderia facilitar a construção de uma coalizão em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, favorecendo a aprovação de ajustes fiscais. Já um cenário de vitória de Lula tornaria o caminho para formar maiorias legislativas mais difícil, segundo o relatório.
No setor de crédito corporativo, o JPMorgan elevou a recomendação para o segmento de grau de investimento brasileiro. Entre os emissores que podem se beneficiar do movimento estão a Vale, Embraer, Gerdau e bancos brasileiros.
