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JPMorgan vê chance de recuperação tática na Bolsa e alerta para risco de short squeeze

Relatório aponta potencial de alta via short squeeze e destaca setores com maior concentração de posições vendidas no país.

Por Diário Local

O JPMorgan identificou a possibilidade de uma recuperação tática na Bolsa brasileira, fundamentada em avaliações de preços atrativas e no potencial de um movimento de short squeeze. De acordo com relatório assinado pelas estrategistas Cinthya Mizuguchi e Emy Shayo, o cenário para o segundo semestre apresenta oportunidades, mas de forma desigual.

O movimento de short squeeze ocorre quando uma alta rápida no preço de um ativo força investidores que apostaram na queda (vendedores a descoberto) a recomprar as ações para encerrar suas posições. Esse processo gera uma pressão adicional de compra, o que tende a elevar ainda mais os preços dos papéis.

Potencial de valorização e riscos

Para o banco, o potencial de valorização observado é condicional e apoiado por indicadores como o índice de preço sobre lucro (P/L) projetado em 7,8 vezes para os próximos 12 meses e um crescimento de lucros estimado em 36% em relação ao ano anterior. Além disso, o baixo posicionamento atual dos investidores favorece esse cenário de recuperação.

Contudo, o relatório ressalta que os riscos são reais. O fortalecimento do dólar, o contexto geopolítico conturbado e a possibilidade de uma trajetória de flexibilização monetária (corte de juros) mais frágil são pontos de atenção. A inflação persistente pode forçar o Banco Central a pausar os cortes de juros, o que impactaria o mercado.

A volatilidade também é esperada com as eleições, dado o histórico de desempenho dos mercados nos seis meses que antecedem o pleito. Além disso, o fluxo de capital tem sido pressionado por resgates que somaram cerca de R$ 8 bilhões em junho.

Posicionamento de investidores e setores

A relação de posições vendidas no Brasil permanece em níveis elevados, situando-se em torno de 3,6%, o que indica um posicionamento de baixa significativo. O banco monitora indicadores como o short interest (posições vendidas em relação ao free float) e os dias para cobrir as posições.

Por setor, os segmentos de Consumo Discricionário e Consumo Básico apresentam as posições mais concentradas, acima de 8% do free float. Já os setores de Bens Industriais e Energia possuem posições mais leves, próximas a 3%. No que diz respeito ao potencial de short squeeze, os setores Financeiro, de Consumo Básico e de utilities se destacam.

Entre as empresas com recomendação de maior exposição (overweight) pelo JPMorgan, onde o posicionamento vendido pode gerar assimetria de alta, estão Vivara (VIVA3), Natura (NATU3), MBRF (MBRF3), Minerva (BEEF3), Usiminas (USIM5) e Vamos (VAMO3). O banco também recomenda cautela com ativos que podem ser armadilhas de valor (value traps), como Petrobras (PETR4), Cury (CURY3), Localiza (RENT3), Vale (VALE3), entre outras.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.