Mercado financeiro projeta queda da Bolsa e alta do dólar após reeleição de Lula
Especialistas preveem volatilidade nos mercados, queda no Ibovespa e pressão sobre os juros futuros nesta segunda-feira (26).
Por Redação Diário Local
O mercado financeiro deve registrar forte volatilidade nesta segunda-feira (26) após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Especialistas projetam queda na Bolsa de Valores, alta do dólar e pressão sobre os juros futuros.
De acordo com projeções de especialistas, o cenário de curto prazo é de pessimismo. Gabriel Pinheiro, sócio da GT Capital, estima que o Ibovespa pode abrir com queda superior a 5% e não descarta o acionamento do circuit breaker, mecanismo da B3 que interrompe as negociações caso o índice atinja 10% de queda em relação ao fechamento anterior.
A expectativa de queda ocorre porque o mercado vinha apostando na vitória do senador Flávio Bolsonaro, que terminou o primeiro turno à frente. Após o resultado do primeiro turno, o Ibovespa havia subido 7,7%, alcançando 209,6 mil pontos, enquanto o dólar recuou para cerca de R$ 5,00.
O que esperar do dólar e dos juros?
Para o câmbio, a estimativa é de que o dólar abra entre R$ 5,30 e R$ 5,50 nesta segunda-feira (26). Já para os juros futuros, a projeção é de alta entre 60 e 100 pontos-base nos vencimentos de médio e longo prazo.
Segundo Gabriel Pinheiro, os setores de bancos, varejo e consumo são os que devem sofrer maior impacto com a reação negativa. O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, também prevê volatilidade no câmbio e no mercado de títulos públicos.
Sung estima que o dólar permaneça próximo de R$ 5,40 em 2027 e avalia que uma possível inflação mais persistente pode limitar o espaço para cortes na taxa Selic (juros básicos).
Impacto do ajuste fiscal
O compromisso fiscal é apontado como o fator que poderá reduzir a volatilidade. Gustavo Sung avalia que haverá um ajuste fiscal, embora em ritmo mais moderado do que seria em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
O economista projeta que o crescimento econômico fique em torno de 1,3% com a continuidade do atual governo. Ele ressalta que sinais de mudanças na equipe econômica e diálogo com o Congresso podem ajudar a acalmar o mercado no médio prazo.
