Justiça dos EUA aprova fusão de US$ 110 bilhões entre Paramount e Warner Bros
Acordo encerra impasses antitruste e prevê a nomeação de Ynon Kreiz, da Mattel, como co-CEO da nova gigante de mídia
Por Redação Diário Local
A Justiça dos Estados Unidos aprovou a conclusão da compra da Warner Bros. pela Paramount, em um negócio avaliado em US$ 110 bilhões. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (30), encerra disputas antitruste com um grupo liderado pela Califórnia — composto por 12 estados — e com o Sindicato dos Roteiristas da América (WGA).
O acordo judicial estipula contrapartidas para garantir a concorrência no mercado de mídia. A nova gigante deverá lançar pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas americanos durante os próximos cinco anos, além de investir US$ 300 milhões anuais em produções nos Estados Unidos. O descumprimento dessas metas pode obrigar a empresa a vender a Miramax.
A decisão da juíza do Tribunal Distrital, Araceli Martínez-Olguín, também resolve impasses com o Sindicato dos Roteiristas. No acordo, as empresas pagarão US$ 17,5 milhões ao fundo de saúde da categoria e garantirão a manutenção do quadro de funcionários da CBS News por cinco anos.
Mudanças na gestão e supervisão jornalística
Para liderar o novo grupo, a Paramount nomeou Ynon Kreiz como co-CEO. O executivo, que até então presidia a Mattel, assumirá o cargo ao lado de David Ellison, responsável pelas operações diárias e pela integração das companhias.
Kreiz traz experiência no setor de entretenimento, tendo liderado a transformação da Mattel em uma produtora de filmes e programas de TV. Ele atuará na administração de um negócio que busca gerar uma economia de mais de US$ 6 bilhões com a fusão.
No âmbito editorial, o acordo determina a criação de um conselho de jornalistas para supervisionar a CBS News e a CNN. As empresas também deverão negociar separadamente os contratos de TV a cabo para os canais pertencentes às duas marcas.
Decisão judicial e próximos passos
A juíza Martínez-Olguín classificou o acordo como uma solução jurídica razoável. Segundo a magistrada, as expectativas dos grupos que tentavam bloquear a fusão — sob o argumento de que ela elevaria os preços de filmes e programas — não configuram violações legais que justifiquem a rejeição do negócio.
Um porta-voz do Departamento de Justiça da Califórnia afirmou que o acordo resolve as preocupações antitruste e protege a escolha do consumidor. O grupo de estados buscava impedir a operação por acreditar que a fusão criaria um monopólio de mídia.
A conclusão oficial da aquisição da Warner Bros. pela Paramount está prevista para o dia nesta terça-feira (6).
