Tensão entre EUA e Irã eleva risco no mercado e faz preço do petróleo subir
A volta das agressões entre os dois países e a revogação da licença de venda de petróleo iraniano geram cautela entre analistas
Por Diário Local
A retomada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã voltou a movimentar o mercado de energia, gerando um cenário de cautela entre especialistas. A revogação da licença de venda de petróleo iraniano pelo governo norte-americano e os novos episódios de agressão entre os dois países interromperam o movimento de queda nos preços que vinha ocorrendo nas últimas semanas.
O barril do tipo Brent, referência internacional, chegou a registrar alta nos pregões de terça-feira (7) e quarta-feira (8), atingindo o nível mais alto desde 22 de junho. Apesar de recuos em dias subsequentes, o petróleo acumulou alta de 5,39% na última semana.
Um dos pontos de maior atenção é a movimentação no Estreito de Ormuz. No último sábado (11), a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã fechou a via marítima após disparar um tiro de advertência contra uma embarcação que tentava utilizar uma rota não autorizada.
O que muda para o mercado de petróleo?
Para os analistas, o momento é de observar se o aumento da volatilidade é um evento isolado ou se haverá mudanças nos preços de forma estrutural. O cenário atual é marcado por um aumento do prêmio de risco no curto prazo, mas não há consenso sobre uma reversão definitiva da tendência de normalização.
A possibilidade de uma interrupção prolongada no fluxo de mercadorias ou uma ameaça real de fechamento do Estreito de Ormuz é o que poderia alterar a fotografia do mercado. Até que isso ocorra, a previsão é de alta volatilidade, sem que o petróleo se torne necessariamente mais caro de forma duradoura.
Segundo especialistas, o risco é que uma escalada maior do conflito force revisões nas projeções de preços e pressione as bolsas de valores, dificultando também o trabalho de bancos centrais caso a inflação de energia suba.
Como fica o preço dos combustíveis no Brasil?
No curto prazo, o mercado financeiro já precifica o risco geopolítico em contratos futuros. No entanto, para que essa alta seja sentida diretamente no preço pago pelo consumidor nas bombas de gasolina, é necessário que o conflito afete de fato a produção ou a logística de exportação de petróleo.
O Brasil possui mecanismos de amortecimento, como o uso de subsídios. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou na quinta-feira que desistiu de retirar o benefício de R$ 0,44 por litro aplicado à gasolina. Além disso, o país tem a opção de recorrer ao etanol caso a gasolina perca atratividade.
Apesar da posição favorável como produtor, o mercado interno não está imune. Os preços domésticos continuam dependentes do mercado internacional, do câmbio e das decisões de comercialização da Petrobras e das distribuidoras.
