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Tecnologia

Sistema de inteligência artificial prevê queimadas na Amazônia com até duas semanas de antecedência

Iniciativa do Ifam utiliza satélites e dados históricos para mapear áreas de risco com mais de 90% de precisão e alertar órgãos ambientais.

Por Diário Local

O Instituto Federal do Amazonas (Ifam) implementará, até agosto, um sistema de inteligência artificial (IA) capaz de prever incêndios florestais na Amazônia com uma a duas semanas de antecedência. A ferramenta, batizada de “IA-FogoBio”, apresenta uma margem de acerto superior a 90% e visa antecipar o combate às queimadas na região.

A iniciativa utiliza modelos de redes neurais e processa imagens de satélite para mapear áreas de risco. O sistema cruza dados de focos de calor com informações sobre o tipo de solo e a vegetação, permitindo uma estimativa antecipada do perigo.

As previsões geradas pela tecnologia serão repassadas a órgãos operacionais ambientais, como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O objetivo é permitir que as equipes humanas planejem o envio de brigadistas, equipamentos e rotas de forma estratégica antes que os incêndios se espalhem.

Como funciona o monitoramento?

Para realizar as previsões, a IA integra imagens de satélites da Nasa e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) a mapas de solo da Embrapa e características de biomas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O sistema também utiliza o histórico de queimadas dos últimos 20 anos para aumentar a precisão.

Além do monitoramento geral, a tecnologia busca identificar a causa dos incêndios. Um estudo do Ifam, realizado em conjunto com os dados da ferramenta, indicou que a maioria dos focos de queimada tem origem humana. Com essa identificação, torna-se possível detectar ações acidentais ou criminosas com antecedência.

Proteção de terras indígenas

O projeto também possui um módulo voltado para a proteção de comunidades tradicionais. Em parceria com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o sistema foi programado para monitorar a totalidade dos territórios indígenas no bioma.

Essa integração permite que incêndios em áreas sensíveis sejam notificados com seis horas de antecedência aos órgãos responsáveis pela proteção dessas comunidades. A plataforma permite filtrar áreas de alto, médio e baixo risco dentro de unidades de conservação e terras indígenas.

A implementação da iniciativa deve começar em Roraima no início de agosto, sendo estendida posteriormente para o estado do Amazonas.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.