Preço do petróleo volta a subir acima de US$ 100 por barril apesar da retomada de exportações
Conflito entre EUA e Irã e entraves no refino de combustíveis mantêm preços altos e pressionam estoques globais.
Por Redação Diário Local
O preço do petróleo voltou a subir e o barril do tipo Brent, referência internacional, superou a marca de US$ 100 na última quinta-feira (1º). O avanço ocorre mesmo com a recuperação das exportações no Golfo Pérsico, que chegaram a 23,3 milhões de barris por dia na última semana de setembro, volume próximo à média registrada em 2025.
Apesar da normalização parcial do transporte marítimo, o mercado permanece cauteloso devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã. A possibilidade de novas interrupções no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para a saída de petróleo de países como Arábia Saudita, Iraque e Kuwait, mantém a pressão nos preços.
Por que o petróleo não caiu com a retomada das exportações?
O motivo para a alta persistente reside no descompasso entre as etapas da cadeia produtiva. Embora o petróleo bruto tenha retornado a volumes próximos aos níveis anteriores, a exportação de combustíveis já refinados, como diesel, gasolina e querosene de aviação, continua abaixo do normal.
Esse cenário acontece porque o conflito também afetou o funcionamento de refinarias e aumentou os riscos para o transporte desses produtos finalizados. Assim, há disponibilidade de matéria-prima bruta, mas dificuldades para transformá-la em combustível e distribuí-la aos consumidores.
Segundo o analista Felipe Sant'Anna, da Axia Investing, é necessário distinguir a produção, o refino e a mobilidade (exportação por dutos ou navios), pois cada etapa responde a riscos diferentes durante o conflito.
Como os estoques e o clima afetam os preços?
A escassez de reservas também contribui para a alta. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que os estoques globais de petróleo recuaram 507 milhões de barris desde fevereiro. Com as reservas baixas, governos e empresas tendem a aumentar as compras para garantir segurança energética.
Outro fator é a sazonalidade. A chegada do inverno no Hemisfério Norte eleva o consumo de energia, o que pode pressionar a demanda por petróleo e seus derivados nos Estados Unidos e na Europa.
Para que haja uma queda sustentável nos preços, a analista Maria Carolina Luchesi, da Hike Capital, aponta que são necessários três fatores: recuperação duradoura das exportações, retomada da produção interrompida e a normalização do mercado de combustíveis.
