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Reinvestimento de dividendos pode ampliar patrimônio em fundos imobiliários

Simulações mostram que reaplicar rendimentos de fundos imobiliários potencializa o efeito dos juros compostos no longo prazo

Por Diário Local

O reinvestimento sistemático dos dividendos recebidos de fundos imobiliários (FIIs) pode ampliar significativamente o patrimônio de investidores ao longo do tempo por meio do efeito dos juros compostos. A estratégia permite que o investidor aumente sua quantidade de cotas e passe a receber rendimentos sobre uma base patrimonial cada vez maior.

Simulações realizadas com dados da Economática, abrangendo o período entre 2016 e junho de 2026, demonstram o impacto dessa prática. Considerando um investimento inicial de aproximadamente R$ 10 mil e um horizonte de 10 anos, a reaplicação dos proventos elevou os retornos de quatro fundos conhecidos do mercado.

O fundo MXRF11 (Maxi Renda) apresentou um dos maiores efeitos da estratégia. O retorno total saltou de 8,49% para 24,44% com o reinvestimento, resultando em um patrimônio final de R$ 12.447, contra R$ 10.852 para quem optou apenas por receber os rendimentos mensalmente.

No setor de logística, o HGLG11 (Patria Log) também registrou avanço expressivo. Com a reaplicação dos proventos, o retorno subiu de 10,12% para 23,85%, levando o patrimônio final ao montante de R$ 12.473.

Já o KNCR11 (Kinea Rendimentos Imobiliários), que possui perfil mais conservador por ser um fundo de recebíveis indexado ao CDI, apresentou um ganho mais moderado. Nesse caso, o retorno passou de 19,17% para 20,32%.

O fund XPML11 (XP Malls), focado em shopping centers, também mostrou benefício com a estratégia. O retorno total do ativo aumentou de 13,80% para 14,67%, elevando o patrimônio final de R$ 11.441 para R$ 11.529.

Por que o efeito nos FIIs é diferente das ações?

Embora o reinvestimento seja poderoso em ações, a intensidade dos resultados nos FIIs costuma ser distinta devido aos modelos econômicos diferentes. Enquanto as empresas reinvestem boa parte dos lucros para impulsionar o próprio crescimento, os fundos imobiliários são desenhados para distribuir a maior parte dos resultados aos cotistas.

A CEO da Magno Investimentos, Olívia Flôres de Brás, explica que essa diferença reflete a finalidade de cada ativo. Segundo a executiva, as empresas costumam investir capital em expansão e inovação, enquanto os FIIs transformam ativos imobiliários em fluxo periódico de caixa.

Apesar dessa distinção, a especialista ressalta que os fundos imobiliários também servem para a construção de patrimônio. O mecanismo financeiro de juros compostos permanece válido para ambos, permitindo que o investidor acumule mais cotas e renda recorrente.

Contudo, a eficácia da estratégia depende diretamente da qualidade do fundo escolhido. A reaplicação de dividendos potencializa um bom investimento, mas não corrige problemas de ativos ruins, como baixa qualidade de imóveis ou gestão ineficiente.

Quais os riscos de reinvestir em cotas descontadas?

Uma tática comum entre investidores é aproveitar quando os fundos negociam abaixo do valor patrimonial para reaplicar os lucros. Essa prática pode aumentar o potencial de retorno, desde que o desconto represente uma oportunidade real e não um problema estrutural.

O planejador financeiro CFP pela Planejar, Victor Garrido, alerta que é preciso entender a origem do desconto. O desafio é identificar se a queda na cota decorre de uma vacância temporária, de um movimento geral do mercado ou de uma deterioração permanente dos ativos do fundo.

Outro ponto de atenção importante é o chamado dividend yield (rendimento de dividendos) elevado. Um rendimento muito acima da média de mercado nem sempre garante um investimento superior ou seguro a longo prazo.

Segundo Garrido, um rendimento muito alto pode ser consequência de uma queda relevante na cotação por problemas reais ou de distribuições extraordinárias que não tendem a se repetir. O investidor deve, portanto, avaliar a qualidade da carteira antes de priorizar apenas o valor do dividendo mensal.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.