Tesouro Nacional capta R$ 33,3 bilhões em leilão de prefixados, o maior desde 2020
O maior leilão desse tipo desde 2020 ocorreu após queda nos juros futuros com o cenário pós-1º turno das eleições.
Por Redação Diário Local
O Tesouro Nacional captou R$ 33,3 bilhões com a venda de títulos prefixados nesta quinta-feira (8), o maior leilão desse tipo realizado desde dezembro de 2020. A operação ocorreu em um cenário de queda dos juros futuros após o primeiro turno das eleições presidenciais.
Para a captação, o governo ofertou 42 milhões de títulos e registrou a compra de 40,8 milhões de papéis. Os títulos prefixados são ativos que possuem uma taxa de rendimento definida no momento da aquisição, desde que sejam mantidos pelo investidor até o vencimento.
A maior procura por esses papéis reflete o otimismo do mercado financeiro com a situação fiscal do país. Quando a percepção de risco diminui, os investidores tendem a exigir juros menores para emprestar dinheiro ao governo, o que permite ao Tesouro captar recursos a custos mais baixos.
Nesse modelo de investimento, existe uma relação inversa entre o preço e o rendimento: quanto maior o valor pago pelo investidor pelo título, menor será a taxa de retorno até a data de vencimento.
Onde houve maior concentração de vendas?
A demanda dos investidores concentrou-se majoritariamente em papéis com prazos de vencimento mais curtos. Quase 80% das Letras do Tesouro Nacional (LTN) ofertadas possuem vencimento programado para janeiro de 2028 ou julho de 2029.
No caso das Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F), mais de dois terços das vendas foram de papéis com vencimento em janeiro de 2031. A concentração em vencimentos de curto prazo ajudou o Tesouro a captar o volume elevado sem pressionar os juros futuros, que registraram queda desde a divulgação dos títulos até a conclusão do leilão.
Contexto e cenário eleitoral
A intensidade da reação do mercado nesta semana gerou comparações com o período do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. Naquela ocasião, os juros futuros recuaram ao longo de cerca de dois meses devido às expectativas de mudança na condução da política econômica, enquanto o movimento atual ocorreu em apenas um pregão.
O movimento de ajuste nas expectativas acontece em meio ao resultado do primeiro turno das eleições. O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou a disputa à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para os investidores, o cenário sugere um possível governo com maior disciplina fiscal e menos expansionista, o que impulsionou a queda dos juros futuros.
