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Educação

Estereótipos na infância moldam visão de gênero e podem gerar desigualdade, alerta professor

Professor do Colégio Loyola explica como rótulos sobre brinquedos e comportamentos moldam a visão de crianças sobre respeito e convivência

Por Davy Albuquerque

A imposição de estereótipos sobre brinquedos, vestimentas e comportamentos na infância pode moldar de forma negativa a visão das crianças sobre gênero, respeito e convivência social. Segundo o sociólogo e professor do Colégio Loyola, Igor A. Assaf Mendes, essas diferenciações não são inatas, mas ensinadas pela cultura ao longo do desenvolvimento infantil.

De acordo com o especialista, o incentivo para que garotos se aventurem e explorem, em contraste com a orientação contida para que garotas foquem em cuidados e observação, acaba moldando habilidades e a percepção de mundo de cada um. Esse processo pode gerar uma hierarquia social onde o padrão masculino é visto como superior, provocando confusão e sofrimento nas crianças.

Essa segmentação pode resultar em problemas graves de convivência e até violência de gênero no futuro. Na análise de Mendes, a construção de uma identidade baseada na exclusão do outro pode levar tanto à sensação de inferiorização por parte das mulheres quanto à criação de homens que desrespeitam e violentam as mulheres.

Como alternativa para mitigar esses impactos, o professor cita exemplos internacionais, como o da Islândia. No país, a educação infantil incentiva meninas a atividades de liderança, escalada e movimento, enquanto meninos praticam tarefas de cuidado e afazeres domésticos, resultando em baixos índices de violência de gênero.

Como evitar a imposição de estereótipos?

Para que os rótulos não limitem o desenvolvimento infantil, o especialista recomenda que os responsáveis ofereçam uma variedade de experiências sem exercer pressão social. O objetivo é garantir que a escolha por uma brincadeira ou atividade seja estritamente da criança, e não uma resposta a um padrão imposto pelo meio.

O cuidado com a linguagem cotidiana também é um ponto essencial para o ambiente familiar. Frases como "isso é coisa de menino" ou "menino não chora" ensinam limites que a criança não escolheu. O sociólogo sugere que os pais pausem e questionem a necessidade de tais correções, avaliando se elas não ferem a dignidade de quem as ouve.

A divisão de tarefas domésticas entre os moradores da casa, sem distinção de gênero, é apontada como uma ferramenta prática de educação. Mendes destaca que a coerência entre o que se prega e o que se faz no dia a dia é fundamental para a formação de cidadãos respeitosos e para o combate à cultura machista.

Por fim, o professor ressalta a importância de transformar o diálogo em aprendizado constante. Segundo ele, os pais devem aceitar questionamentos e dúvidas de forma autêntica, entendendo que a criação de seres humanos respeitosos exige atenção ao que é normalizado no cotidiano sem que se perceba.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.