Pais podem aproveitar férias para ensinar educação financeira a crianças de forma lúdica
Especialista recomenda uso de dinheiro em espécie e exemplos práticos para introduzir conceitos de consumo e poupança para filhos.
Por Davy Albuquerque
As férias escolares podem ser utilizadas para introduzir conceitos de educação financeira de forma leve e lúdica para as crianças. Segundo a economista comportamental Olívia Resende, a infância é a fase ideal para a formação de hábitos e valores relacionados ao dinheiro, por meio da observação dos pais e da participação em decisões cotidianas.
A especialista aponta que um erro comum entre as famílias é evitar o assunto com os filhos, seja por proteção ou por considerar o tema complexo. No entanto, o envolvimento em pequenas decisões financeiras ajuda o público infantil a compreender, de forma natural, que os recursos são limitados e demandam administração.
Para facilitar o entendimento do que é ganho, gasto e saldo remanescente, a economista recomenda o uso de dinheiro em espécie sempre que possível. O contato visual com as cédulas, como ao entregar uma mesada, torna o processo mais tangível para a criança do que o ambiente digital.
Em famílias que utilizam contas digitais, a sugestão é recorrer a recursos visuais para tornar o dinheiro "palpável". Exemplos incluem o uso de cédulas de brincadeira para representar o saldo disponível ou o uso de cofrinhos transparentes, que permitem acompanhar o crescimento do patrimônio ao poupar.
Como aprender na prática?
O aprendizado não exige atividades complexas; situações do dia a dia podem ser transformadas em momentos pedagógicos. Uma das sugestões é o planejamento de um passeio familiar, definindo antecipadamente quanto poderá ser gasto durante a atividade.
Outra estratégia é transformar a ida ao supermercado em um exercício de comparação de preços, marcas e promoções. O objetivo é fazer com que a criança entenda a dinâmica de consumo de forma prática e descontraída.
As famílias também podem criar metas de economia específicas para o período de férias ou conversar sobre a diferença entre o que é desejo e o que é necessidade antes de efetuar compras. Além disso, organizar o orçamento para a volta às aulas demonstra como o planejamento facilita a gestão financeira.
O método de introduzir responsabilidades também é utilizado por famílias, como no caso da médica alergista Caroline Pássaro. Ela aplica a educação financeira com a filha, de 9 anos, que recebe valores semanais ao cumprir tarefas domésticas, como arrumar a cama e organizar brinquedos.
Nesse modelo, parte do valor é destinada ao gasto imediato, como lanches, e a outra metade é guardada. A prática busca ensinar o pensamento de longo prazo, como o planejamento para viagens ou a valorização do dinheiro por meio de investimentos em moedas estrangeiras.
