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Música

Bandas de rock com temática cristã rejeitam rótulo 'gospel' e buscam novos espaços

Movimento liderado pelo selo Se Vira Music busca tocar em bares e casas de shows, fugindo de estereótipos do mercado religioso.

Por Redação Diário Local

Bandas de rock que utilizam a fé cristã como temática em suas composições buscam se distanciar do rótulo comercial de 'gospel'. O movimento, que conta com a articulação do selo independente Se Vira Music, reúne músicos de diferentes regiões do Brasil para ocupar espaços como bares, cervejarias e casas de shows.

O selo reúne 12 bandas de estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte, conectando uma rede de aproximadamente 100 profissionais, entre músicos e produtores culturais. Segundo os integrantes, a proposta é evitar os estereótipos do mercado gospel tradicional, que muitas vezes foca na evangelização direta e em alinhamentos políticos específicos.

Sérgio Verine, teólogo e fundador da marca fonográfica, afirma que o grupo busca fugir do que chamam de 'evangeliquês', uma linguagem voltada para grupos fechados. Verine, que também integra a banda de metal Judeu Marginal, destaca que o objetivo não é converter o público, mas sim realizar apresentações em locais frequentados por pessoas fora do meio religioso.

Dificuldades de circulação entre o sagrado e o secular

A tentativa de transitar entre igrejas e casas de shows tem gerado resistência em ambos os setores. A banda de hardcore AHPE, de Caxias do Sul (RS), relata que enfrenta barreiras tanto em templos quanto em espaços de rock. Segundo o vocalista Alex André Santin, o grupo é visto como 'rebelde demais' pelas igrejas e 'da igreja demais' por casas de hardcore.

O projeto, que tem 13 anos de trajetória, mantém ligações com a Comunidade da Esperança, mas mantém uma agenda diversificada. Para os músicos, essa separação entre espaços 'sagrados' e 'seculares' é uma construção humana que não condiz com a mensagem de libertação pregada por Jesus.

Temática das composições e abordagem das letras

As letras das bandas do coletivo abordam espiritualidade e religião, mas fogem do modelo tradicional de referências bíblicas diretas. O movimento evita mensagens associadas à teologia da prosperidade, corrente que vincula o sucesso financeiro e social à fé.

A banda Judeu Marginal, composta por Sérgio Verine, Letícia Morais e EJ, utiliza faixas para questionar imagens de Deus construídas socialmente. Já o grupo AHPE foca em questões existenciais, como a depressão. O objetivo declarado pelos artistas não é a conversão de ouvintes, mas o uso da música para construir pontes em vez de muros.

Em Natal (RN), a banda Conexão Vibration segue uma lógica semelhante. Formada em 2010, a equipe transita entre Marchas para Jesus e ambientes como campeonatos de skate e surfe. Segundo o vocalista Juninho, a intenção é produzir uma música que conecte diferentes contextos sociais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.