Diário Local
Relato

Cantora de pagode gospel relata 15 anos de vício em crack e vivência na Cracolândia em São Paulo

Kathleen Fontoura, de 40 anos, detalha rotina de dependência química, perda de bens e como a música ajudou em sua transformação

Por Davy Albuquerque

A cantora de pagode gospel Kathleen Fontoura, de 40 anos, relatou ter vivido 15 anos de dependência química, principalmente de crack, e ter morado por três anos na região da Cracolândia, em São Paulo.

Moradora da Zona Norte da capital paulista, Kathleen detalhou como a música foi um fator de mudança em sua vida após um período de extrema vulnerabilidade nas ruas. Recentemente, a cantora ganhou destaque nas redes sociais com vídeos de suas apresentações na Avenida Paulista.

A trajetória de dependência teve início em sua juventude, após um período de maior liberdade no interior de São Paulo, onde teve o primeiro contato com substâncias como cigarro, álcool e maconha. O uso de crack ocorreu em uma reunião de amigos e, inicialmente, não era visto por ela como uma necessidade constante.

Como a dependência se intensificou?

Kathleen trabalhou por quatro anos como soldado temporária da Polícia Militar, em funções administrativas, e mantinha uma rotina estável. No entanto, o consumo aumentou progressivamente após o término de um relacionamento afetivo, momento em que passou a utilizar a droga para amenizar a tristeza.

A progressão do vício levou a cantora a perder o controle sobre sua vida e seus bens. Ela relatou ter vendido relógios, aparelhos celulares, roupas e até as peças de seu carro para financiar o uso do crack. Em um dos episódios, chegou a passar seis dias seguidos dentro de um veículo consumindo a substância.

Na tentativa de abandonar o vício, a cantora chegou a se mudar para o Rio de Janeiro. Contudo, o plano não funcionou, e ela chegou a morar em um barraco em um terreno na capital fluminense, permanecendo desaparecida da família por nove dias.

A vivência na Cracolândia

Ao retornar para São Paulo, Kathleen acabou integrando o grupo de usuários na região da Cracolândia. Ela descreveu o ambiente do fluxo como um local onde o consumo era feito abertamente na calçada, o que a atraiu inicialmente por não precisar esconder o uso.

Durante a permanência na região, ela enfrentou situações de desprezo e agressões verbais por parte de passantes. Kathleen relembrou o impacto emocional de ser procurada pela mãe em meio à multidão de usuários, um encontro que a levou a aceitar o retorno para o convívio familiar.

Atualmente, a cantora utiliza o pagode para compartilhar sua história de superação e sua fé. Ela destaca que a música tem sido o meio para expressar sua transformação após o período de vulnerabilidade nas ruas.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.