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Drag queen, dramaturga trans e ator falam sobre resistência e representatividade à véspera do Dia do Orgulho LGBT+

Miami Pink, Renata Carvalho e Edwin Luisi discutem o significado da data e o papel da arte na luta por visibilidade e pertencimento em cartazes no Rio.

Por Diário Local

À véspera do Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, celebrado neste domingo (28), três artistas em cartaz no Rio refletem sobre resistência, visibilidade e o papel da arte na luta por pertencimento: a drag queen Miami Pink, a dramaturga trans Renata Carvalho e o ator Edwin Luisi.

Renata Carvalho dirige o espetáculo "Cabaré traviarcado: uma ode às travestis", com elenco formado apenas por travestis, em homenagem a pioneiras como Rogéria, Divina Valéria e Eloína dos Leopardos. Para a dramaturga, cientista social e antropóloga, o orgulho está enraizado na história de luta das travestis.

"Tenho orgulho de quem eu sou, lutei muito para ser eu mesma. Orgulho das minhas transcestrais que lutaram com muita garra, resistência e insistência pavimentando nossos caminhos. Quando uma travesti se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela," diz Renata, que em 2019 estreou o monólogo "Manifesto Transpofágico", aclamado pela crítica.

Para Renata, conhecer o passado é essencial. "Antigamente, pessoas trans e travestis não podiam andar nas ruas sem serem presas, entrar em teatros, andar de ônibus. Hoje, estamos ocupando as universidades, as artes, a política. Somos o sonho de muitas gerações," afirma.

Drag e celebração

Miami Pink, criadora do concurso mensal Drag Star no Teatro Rival Petrobras, associa o orgulho ao momento em que a persona deixa de ser privada e ganha visibilidade pública. "Orgulho, para mim, é satisfação e realização. É poder ser quem eu sou, poder não me esconder," explica.

Neste domingo, Miami comanda uma edição especial de "Pride Show" ao lado de Ravena Creole, reunindo artistas de diferentes estilos, trajetórias e gerações no Teatro Rival Petrobras. "Quando me monto, mostro um pedacinho do meu coração. É algo que eu guardo comigo e que, quando me monto, estou abrindo para que todos possam ver o meu verdadeiro eu," descreve Miami.

Perseguição e identidade

Edwin Luisi retorna ao papel de Charlotte von Mahlsdorf em "Eu sou minha própria mulher", segunda montagem do solo dirigida por Herson Capri. A peça conta a história de Charlotte (1928-2002), mulher trans que enfrentou o nazismo e o regime comunista na Alemanha sem abrir mão da própria identidade.

"Há 18 anos, escolhi essa peça porque era um texto fascinante para um ator. Não pensava em pertencimento, identidade ou representatividade. Mas o mundo mudou," reflete Edwin. "As discussões sobre liberdade de escolha e sobre o direito de ser quem se é se tornaram cada vez mais urgentes. Por isso, sinto que a peça tem muito mais a dizer hoje do que tinha quando a montei pela primeira vez."

No espetáculo, Edwin Luisi interpreta mais de 20 personagens que atravessam a vida de Charlotte. O solo consolidou-se como um marco na trajetória do ator, que acumula prêmios como Shell, Mambembe, APCA e APTR.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.