Djamila Ribeiro lança edição revista do livro 'Lugar de fala' para combater distorções do conceito
Nova edição da obra conta com 476 páginas e aborda temas como marketing digital, jornalismo e tensões no feminismo
Por Redação Diário Local
A filósofa e professora Djamila Ribeiro lançou uma edição revista e ampliada de seu livro "Lugar de fala". O novo volume busca enfrentar as interpretações equivocadas e o esvaziamento do conceito que ocorreu desde o lançamento da obra original, em 2017.
Publicada pela editora Rosa dos Tempos, a nova edição conta com 476 páginas e está organizada em duas partes: "Lugar de fala", que reúne os capítulos da publicação original, e "Uma década depois", que traz novas discussões desenvolvidas pela autora nos últimos anos.
A obra recebeu prefácio de Chimamanda Ngozi Adichie e apresentação de Grada Kilomba. Entre as novas temáticas inseridas nesta versão estão o marketing digital, as tensões no movimento feminista e o papel do jornalismo, disciplina que a autora lecionou na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Djamila Ribeiro explica que a revisão da obra foi motivada pela forma como o conceito se popularizou. Segundo a professora, embora o termo tenha ganhado espaço na academia e no cotidiano, ele passou a ser interpretado de forma distorcida, muitas vezes de maneira superficial em redes sociais. A obra apresenta, inclusive, um relatório bibliométrico que indica o impacto do livro no mundo acadêmico, como a leitura para o vestibular da Federal do Paraná e para o ingresso na pós-graduação em Direitos Humanos na USP.
A autora esclarece que o "lugar de fala" não deve ser confundido com um interdito ou restrição ao debate. Pelo contrário, o conceito visa romper com a ideia histórica de que apenas um grupo social — tradicionalmente homens brancos — detém o monopólio do conhecimento e das produções intelectuais.
Por que o conceito foi revisado?
A revisão busca combater a interpretação de que o conceito funciona como uma barreira para o diálogo. Djamila argumenta que o termo serve para promover a multiplicidade de vozes e permitir que se compreenda como as relações de poder atravessam a fala de cada indivíduo.
O livro também detalha a diferença entre "lugar de fala", representatividade e essencialismo. A filósofa pontua que, enquanto a representatividade é uma demanda legítima para que grupos minorizados se vejam nos espaços institucionais, o lugar de fala é uma postura ética para reconhecer as desigualdades sociais.
Para a autora, compreender o lugar de fala permite identificar que privilégios ocupados por certos grupos podem ser a base da opressão de outros. A nova edição utiliza o acúmulo de experiência da professora, inclusive em instituições nos Estados Unidos, para aprofundar esse entendimento sobre as origens sociais das desigualdades.
