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Cinema

Documentário Nem Tudo é Paz e Amor explora a herança dos filhos da contracultura brasileira

Filme dirigido por Betão Aguiar reúne relatos de filhos de artistas sobre infância, traumas e a busca por caminhos próprios

Por Redação Diário Local

O documentário 'Nem Tudo é Paz e Amor', dirigido por Betão Aguiar, investiga as marcas deixadas pela contracultura brasileira na vida de seus descendentes. O filme reúne relatos de filhos de figuras que transformaram a cultura do país para entender como o comportamento libertário da geração anterior impactou suas criações, afetos e a busca por caminhos individuais.

Entre os entrevistados estão Moreno Veloso, Nara Gil, Sarah Sheeva, Beto Lee e Anelis Assumpção. A obra busca ir além da celebração do movimento, focando no que restou para aqueles que cresceram sob valores que, para o contexto de seus pais, significavam liberdade, mas para as crianças podiam representar a ausência de referências tradicionais.

O diretor Betão Aguiar, que é filho da escritora Marília Aguiar e de Paulinho Boca de Cantor, utiliza a própria experiência como ponto de partida para uma investigação que se amplia para diversas famílias. O projeto carrega também um tom de homenagem, tendo sido concebido originalmente ao lado de Jasmin Pinho, falecida em 2020.

O que os relatos revelam sobre o legado?

Os depoimentos expõem que não existe uma forma única de vivenciar a herança da contracultura. Os participantes variam entre sentimentos de orgulho, gratidão, estranhamento e ressentimento. Enquanto alguns buscam novos caminhos, como a aproximação com a religião ou com a ciência, outros relatam a busca por uma estabilidade que faltava no ambiente de improvisação dos anos 1970.

Sarah Sheeva, filha de Baby do Brasil e Pepeu Gomes, exemplifica essa complexidade ao relembrar a convivência com os pais em um ambiente de nudez naturalizada. O relato busca compreender a experiência sob a ótica da maturidade, reconhecendo que a liberdade também exige a imposição de limites.

Anelis Assumpção traz ao documentário uma camada de crítica social ao abordar a figura de seu pai, Itamar Assumpção. Ela pontua que a promessa de liberdade do movimento não eliminava as desigualdades e os conflitos raciais que existiam na sociedade e que também estavam presentes no meio artístico.

Como o filme é construído?

Para evitar uma reconstrução idealizada ou puramente nostálgica do passado, o filme utiliza fotografias, músicas e cenas de filmes da época, como os da Boca do Lixo. O objetivo é criar um diálogo entre as memórias íntimas e o imaginário coletivo de um período de ruptura cultural.

A obra conclui que a liberdade conquistada pela geração da contracultura permite que seus filhos tenham o direito de questionar o que herdaram. O documentário reforça a ideia de que é possível reconhecer o legado dos pais e, ainda assim, decidir seguir trajetórias diferentes das que lhes foram impostas pela criação.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.