Lula cita filme Que Horas Ela Volta? para criticar resistência de elites à ascensão social
Presidente utilizou a trama sobre desigualdade social para comentar a dificuldade de setores ricos em aceitar a presença de trabalhadores em novos espaços
Por Redação Diário Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o longa-metragem "Que Horas Ela Volta?" para criticar o preconceito de classe e a resistência de setores da elite à ascensão social da população de baixa renda. A declaração foi feita durante entrevistas concedidas nesta sexta-feira (14).
Ao mencionar a produção, Lula relacionou o enredo do filme à dificuldade de aceitação de trabalhadores em espaços tradicionalmente associados às classes mais altas. O presidente relembrou, ainda, as críticas que recebeu quando os aeroportos passaram a ser mais frequentados por pessoas de menor poder aquisitivo.
O presidente afirmou que o filme retrata o comportamento de parte da sociedade de classes mais elevadas. "Aquele filme retrata bem o comportamento de certas pessoas, não de todas, mas de certas pessoas com uma classe um pouquinho mais alta", pontuou Lula.
Lula questionou barreiras sociais que limitam o acesso de trabalhadores a locais de lazer e cultura. "O pobre não pode ir no restaurante que ele [o rico] vai, o pobre não pode ir no teatro que ele vai. Mas que loucura que é essa?", questionou o presidente.
Enredo do filme
Dirigido por Anna Muylaert e lançado em 2015, o filme acompanha a história de Val, interpretada por Regina Casé. A trama narra a trajetória de uma empregada doméstica que deixa a filha, Jéssica, no interior de Pernambuco para trabalhar como babá de uma família de classe alta em São Paulo.
A narrativa se intensifica após 13 anos de serviço para a mesma família, quando Val recebe a visita da filha na capital paulista. Jéssica viaja à cidade para prestar vestibular e passa a questionar as regras e as divisões sociais estabelecidas dentro da residência.
O conflito central da obra expõe as diferenças de privilégios e as limitações impostas ao convívio entre patrões e empregados. A chegada da jovem muda a dinâmica da casa e levanta debates sobre oportunidades e enquadramentos sociais.
O longa-metragem foi o representante brasileiro na disputa por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2016. Apesar do reconhecimento, a produção não chegou à lista final de indicados pela Academia.
