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Aos 87 anos, Dona Onete celebra 10 anos de 'Banzeiro' e segue criando: 'Ainda estou de pé'

A rainha do carimbó comemora uma década do disco que levou a música paraense para o mundo, apesar de reduzir agenda por problemas de saúde.

Por Diário Local

Aos 87 anos, Dona Onete celebra uma década de 'Banzeiro', o álbum que consolidou sua carreira e levou o carimbó paraense para o cenário internacional. Completados no último dia 18, os anos coincidiram com os 10 anos do disco, lançado em 23 de junho de 2016.

'Banzeiro' alcançou o primeiro lugar da World Music Charts Europe e impulsionou apresentações nos Estados Unidos, México, diversos países da Europa e do Sudeste Asiático. O trabalho de 12 faixas reúne ritmos tradicionais como banguê e bolero, tornando-se um dos principais registros da música paraense contemporânea.

"Eu era folclorista, participava de grupos de dança, mas tinha vontade de 'mexer' mais com o Carimbó. Só de ver o nosso ritmo querido em lugares como Rio de Janeiro e São Paulo, que são vitrines, já é um sentimento de dever cumprido", conta a cantora, compositora, pesquisadora e ex-professora marajoara.

A carreira musical de Dona Onete começou tardiamente, aos 72 anos. No disco, faixas como "Tipiti" e "Banzeiro" transformam elementos do cotidiano amazônico em poesia. Já em "Proposta Indecente" e "No Sabor do Beijo", ela explora a sensualidade bem-humorada que marca seu trabalho.

Redução de agenda por saúde

Em fevereiro deste ano, Dona Onete foi hospitalizada com infecção urinária. A partir daí, reduziu totalmente o ritmo de trabalho e suspendeu a agenda de shows. Sua última apresentação, utilizando cadeira de rodas, foi no Festival do Carimbó em Irituia, no Pará, no dia 18 de janeiro.

"Estou vivendo um período muito bonito, apesar dos meus problemas de saúde. Mas estou vencendo. Ainda estou de pé", afirma a artista.

Novos projetos em desenvolvimento

Mesmo com a redução do ritmo por recomendações médicas, Dona Onete segue criando. Ela planeja novos projetos musicais e trabalhos ligados à literatura infantil, área com a qual manteve conexão ao longo de sua trajetória como professora.

"Não quero deixar de fazer as historinhas cantadas. Quero fazer o próximo livro e quero que as crianças aprendam a amar o nosso Pará. Ainda tenho muitas histórias para contar", conclui.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.