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Arte

Exposição 'Apocalipse' ocupa ruínas de prédio histórico no Centro de São Paulo neste sábado (8)

Mostra do artista Alex Flemming será realizada nos Palacetes da Sé, em um imóvel centenário com marcas de abandono.

Por Redação Diário Local

As ruínas de um edifício centenário no Centro de São Paulo recebem, a partir deste sábado (8), a nova exposição do artista plástico Alex Flemming. A mostra, intitulada "Apocalipse", ocupará os Palacetes da Sé, conjunto formado por dois edifícios históricos situados entre as ruas Roberto Simonsen e Venceslau Brás, próximo à Praça da Sé.

A série de pinturas nasceu em 2015, motivada pelas reflexões do artista sobre a fragilidade da civilização contemporânea após os atentados terroristas ao Teatro Bataclan, em Paris. As obras representam monumentos emblemáticos da humanidade, como a Catedral de Notre-Dame e a Mesquita Azul de Istambul, em cenários de destruição.

Apesar da temática, Flemming busca imprimir beleza e sensualidade às composições, utilizando referências à pintura renascentista. O artista explica que suas obras dialogam com os conceitos de Eros e Tânatos, simbolizando a dualidade entre vida, desejo e morte.

Como funciona a experiência na exposição?

A mostra nos Palacetes da Sé foi planejada para ser uma experiência imersiva. O percurso dos visitantes começa com a série "Retratos Invisíveis", composta por figuras humanas coloridas e translúcidas, e termina com as telas da série "Apocalipse", criando uma passagem entre a vida e o fim.

Ao todo, o público poderá conferir 37 pinturas de grandes dimensões. Um elemento central do projeto é a iluminação: a maior parte da exposição não utilizará luz elétrica, priorizando a luz natural. Como as obras utilizam tintas metálicas, a percepção das cores e detalhes muda conforme o horário do dia.

O cenário histórico dos Palacetes da Sé

A escolha do local foi estratégica para o conceito do artista. Os Palacetes da Sé incluem um imóvel da Rua Roberto Simonsen, identificado como uma obra do arquiteto Ramos de Azevedo, que está há 85 anos sem uso regular. O prédio está conectado a outro palacete, projetado em 1910 pelo arquiteto italiano Giuseppe Sacchetti.

Para Flemming, o estado de conservação dos edifícios — com marcas de infiltração e paredes descascadas — reforça a narrativa de declínio apresentada nas telas. O artista afirma que o abandono dos espaços também representa uma forma de "fim do mundo".

A exposição marca o retorno de Alex Flemming, de 72 anos, à cidade de São Paulo após passar mais de três décadas morando em Berlim, na Alemanha. O artista, conhecido por obras como a intervenção na Estação Sumaré do Metrô, decidiu dedicar este período de sua vida para contribuir com o país onde nasceu.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.