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Sylvester Stallone criou "Eye of the Tiger" por acaso ao descartar demo para Rocky III

Ao rejeitar "Another One Bites the Dust" do Queen para Rocky III, o ator e diretor pediu uma música de última hora e acabou usando uma versão de demonstração da banda Survivor que virou sucesso global.

Por Diário Local

Nem todos os grandes sucessos da história da música nascem de lampejos de inspiração de um compositor genial ou de sessões de estúdio meticulosamente planejadas. Um clássico do rock pode surgir da combinação entre um ator de cinema que desconhece termos técnicos de gravação, um orçamento apertado e uma fita de demonstração enviada às pressas.

Essa é a história de como Sylvester Stallone, acidentalmente, transformou "Eye of the Tiger", da banda Survivor, em um dos hinos mais executados e reconhecidos de todos os tempos.

A trilha sonora perdida de Rocky III

Em 1982, Stallone terminava a edição de Rocky III, filme que escreveu, dirigiu e protagonizou. Ele já havia escolhido a música para a abertura: "Another One Bites the Dust", hit de 1980 do Queen.

O plano desandou. A gravadora vetou a faixa por considerá-la "velha demais", ou o próprio Queen negou o uso — as versões divergem nos bastidores.

Stallone se viu sem a canção principal e precisava de uma substituição à altura. Naquele momento, entrou em cena a Scotti Brothers Records, gravadora do Survivor. Tony Scotti, dono do selo, era amigo de Stallone — jantavam juntos no restaurante Rao's, em Los Angeles.

Vislumbrando uma oportunidade de ouro, Tony sugeriu a banda para o projeto. O Survivor, porém, estava longe do estrelato. Seus dois primeiros álbuns haviam ficado em posições irrelevantes nas paradas americanas: 169º e 82º lugar.

Dez minutos e uma mentira bem-humorada

Stallone ligou pessoalmente para Frankie Sullivan, guitarrista do Survivor, e enviou uma fita de vídeo com apenas os primeiros 10 minutos do filme. Sullivan solicitou ver a obra inteira para captar a essência da história.

"Liguei para ele e disse que precisava ver o filme inteiro para compor a música. Não era verdade — eu só queria ver o que acontecia no filme", lembrou Sullivan, bem-humorado. "Eu o tranquilizei: 'Cara, eu não vou fazer cópias piratas na minha garagem!' Ele riu e mandou entregar uma cópia pessoalmente."

Ao lado do tecladista e guitarrista Jim Peterik, Sullivan escreveu a base musical em apenas dez minutos. A dupla, porém, passou três dias sofrendo para finalizar a letra.

Faltava o título definitivo. A resposta veio quando Sullivan folheava o roteiro do filme e bateu o olho em uma fala de Apollo Creed que dizia que Rocky costumava ter "o olho do tigre" ("the eye of the tiger", em inglês).

"Que diabos é uma demo?"

Ao ouvir o material, Stallone ficou fascinado e avisou que aquela fita iria direto para a versão final do cinema. Sullivan tentou explicar que era apenas a versão de demonstração (demo) e que eles ainda iriam gravar a definitiva.

A resposta do ator foi curta, grossa e hilária: "Que diabos é uma demo? Essa é a versão que eu vou usar!"

O clássico acidental

Lançada oficialmente em 8 de junho de 1982, a música gerou resultados comerciais estrondosos. Ficou seis semanas consecutivas no 1º lugar da Billboard Hot 100 nos Estados Unidos.

A faixa venceu o Grammy de Melhor Performance de Rock por Dupla ou Grupo. O videoclipe, que usava cenas de Rocky III, tornou-se um dos principais sucessos da era de ouro da MTV.

O que começou como uma solução desesperada para um filme virou um ícone da história do rock — tudo porque um ator de ação não sabia o que era uma demo e decidiu usar a fita de demonstração como versão final.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.