Ator Felipe Hintze estreia monólogo sobre violência e estigmas de corpos gordos em SP
Montagem inédita do ator debate erotização da violência e o apagamento da representatividade de corpos gordos
Por Redação Diário Local
O ator Felipe Hintze estreia como dramaturgo em seu primeiro monólogo, intitulado "Proibido para Menores de 18 Anos", que chega ao palco em São Paulo no dia 1 de agosto (sábado). A montagem utiliza o corpo do artista para debater a erotização da violência e os estigmas historicamente impostos às pessoas gordas.
A peça, que será encenada no Teatro Estúdio, marca um novo momento na carreira de Hintze, que busca retornar a temas densos de seu início profissional. O espetáculo acompanha a história de um funcionário de uma lan house que desenvolve obsessão por conteúdos violentos após presenciar um acidente fatal.
Para a construção da narrativa, a equipe realizou seis meses de pesquisa e contou com o auxílio de dois psiquiatras para compreender os processos cerebrais relacionados ao desejo e ao prazer diante de conteúdos de violência. O texto é uma coautoria de Hintze com Nicolas Zanetti, que também assina a direção.
O que a peça questiona?
O espetáculo propõe uma reflexão sobre a naturalização da violência e como o consumo constante de imagens de sofrimento pode anestesiar a empatia humana. Segundo o ator, a obra não critica a sexualidade, mas sim a "erotização da violência", que ocorre quando cenas de tragédias passam a ser consumidas como entretenimento.
A montagem faz referências diretas ao fenômeno dos conteúdos de 'true crime', programas policiais e vídeos de acidentes compartilhados em redes sociais. O objetivo é provocar o público a repensar a forma como consome informações digitais e o impacto disso na percepção do sofrimento alheio.
Representatividade e corpo
Além da questão da violência, Hintze utiliza o monólogo para discutir a representatividade de corpos gordos. O ator afirma que o corpo gordo ainda enfrenta o estigma do alívio cômico e que levar o corpo para um lugar de erotização é um desafio aos padrões sociais.
O artista observou um possível retrocesso na visibilidade de modelos 'plus size' em eventos de moda e relacionou esse movimento à supervalorização da extrema magreza. Sobre o uso de medicamentos para emagrecimento, o ator diferencia o uso terapêutico contra a obesidade — que classifica como doença — do uso puramente estético.
Produção independente
A montagem é realizada com recursos próprios do ator, sem a presença de patrocinadores. Hintze afirma que, embora a ausência de apoio financeiro externo aumente os riscos, a escolha garante total autonomia e liberdade criativa para abordar temas considerados espinhosos.
As apresentações ocorrem de 1 de agosto (sábado) a 29 de agosto (sábado), com sessões aos sábados às 20h30 e na segunda-feira (4) às 20h. Os ingressos para o Teatro Estúdio, localizado no Centro de São Paulo, custam R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia).
