Uso de celular e interação mudam perfil de público nos cinemas brasileiros
Novo perfil de consumidor busca convivência e imersão, mas gera debates sobre o uso de smartphones nas salas
Por Redação Diário Local
A Geração Z, composta por pessoas nascidas entre 1997 e 2012, está transformando os hábitos de consumo nas salas de cinema no Brasil. O novo perfil de público demonstra maior disposição para interagir com o conteúdo e um uso constante de smartphones, buscando no ambiente das salas a convivência e a imersão que a tela do celular não oferece.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex (Abraplex), o interesse dessa geração pelo circuito de exibição é um dos pontos de destaque no setor. De acordo com Tiago Mafra, diretor-executivo da Abraplex, a mudança de comportamento se reflete principalmente nos hábitos de consumo.
Luiz Fernando Angi, gerente de marketing da Cinépolis Brasil, reforça que o uso do celular faz parte do cotidiano dessa geração. Embora existam registros de reclamações sobre o uso de aparelhos e conversas em voz alta durante as sessões, o nível de queixas formais na rede não apresentou uma mudança drástica nos últimos anos.
Por que o comportamento mudou?
A busca por experiências coletivas é um dos motores dessa transformação. Um levantamento da plataforma Fandango realizado com 7 mil adultos nos Estados Unidos mostra que 87% dos integrantes da Geração Z foram ao cinema ao menos uma vez nos últimos 12 meses, índice superior ao de outras gerações, como os Millennials (82%) e os Baby Boomers (58%).
Segundo a Abraplex, o motivo principal para a ida ao cinema é a dimensão social. Em alguns casos, como em filmes musicais, a interação é parte do evento. A cinebiografia de Michael Jackson, por exemplo, atraiu o dobro do público projetado pela Cinépolis em 2026, com sessões marcadas por cantoria e dança.
Além dos filmes tradicionais, as salas de cinema têm diversificado sua programação para incluir shows de K-pop e exibições especiais para fãs de animações japonesas. Nesses eventos, o público costuma manifestar empolgação de forma mais expansiva, o que é esperado pelos organizadores.
Como o setor reage ao uso de celulares?
Para mitigar transtornos causados pelo uso de smartphones e conversas, as redes de cinema têm investido em campanhas de educação. Os chamados filmes de "pré-show", exibidos antes do início da principal atração, trazem orientações sobre o uso de celulares e rotas de saída de emergência.
Essas peças institucionais, que podem custar até R$ 100 mil, visam educar o público de forma mais assertiva no momento em que a atenção do espectador já está captada. Luiz Fernando Angi explica que o objetivo é orientar o comportamento sem perder o engajamento.
Outra estratégia para lidar com a necessidade de registro digital é a criação de espaços de fotos nos halls das salas. A ideia é oferecer um local adequado para que o público registre sua presença, evitando que o uso de dispositivos ocorra dentro da sala de exibição durante o filme.
