Luísa Sonza reflete sobre caso de racismo: "Impossível ser perfeita"
A cantora relembrou o episódio de 2018 em Fernando de Noronha e disse que aprendeu a se portar melhor como mulher branca e figura pública.
Por Diário Local
A cantora Luísa Sonza relembrou em entrevista o processo de racismo que enfrentou há alguns anos e refletiu sobre o aprendizado adquirido com a acusação. Ao comentar sobre projetos sociais que apoia, ela afirmou que compreendeu melhor como deve se apresentar à sociedade enquanto mulher branca e figura pública.
"Acho que se colocar e se entender como mulher branca é muito importante. E também conectar que a dor não está ali, sabe? Acho que, com o tempo, a gente vai conseguindo entender mais", disse a artista em entrevista à Tati Bernardi. Ela reforçou que não gosta da ideia de sempre se defender diante das críticas. "Eu sou uma pessoa que faz que cresce, que ajuda e que acredita. Então, o que eu tenho que fazer para ser uma pessoa melhor?", complementou.
Luísa Sonza confessou que se assustou ao descobrir que era processada. "Quando você se vê assim, toma um susto: 'Meu Deus, eu sou a vilã'. Mas, ao mesmo tempo, você não se sente assim porque, no processo que aconteceu, não foi uma coisa que eu tive intenção", relatou.
A cantora tinha 18 anos quando o episódio ocorreu. "Eu estava cantando, me virei e aconteceu aquilo. Nos primeiros anos da vida adulta, talvez até antes dos 20, você não entende. Depois percebe que não é sobre você, é sobre o outro, é sobre como o outro se sente", desabafou.
Com os anos, ela compreendeu melhor o peso de suas ações. "Meu comportamento precisa contribuir para não seguir alimentando uma estrutura que é racista, elitista, machista e todas essas coisas que a gente conhece", destacou.
Luísa Sonza explicou que aprendeu a se portar enquanto figura pública, especialmente sendo mulher branca. "Você precisa ter um tato maior e um entendimento mais profundo das coisas. Então, o que eu busco fazer é sempre me atualizar e buscar melhorar", pontuou.
"A melhor justificativa, ou a melhor desculpa, são as atitudes. Sempre tentei ser perfeita, mas é impossível ser completamente perfeita. Hoje eu perdoo também a ignorância da Luísa de 10 anos atrás e entendo como devo me portar em relação a todas essas questões", completou.
A cantora reforçou que o combate ao racismo é responsabilidade de pessoas brancas. "A gente tem esse dever. E também em outras causas, eu acredito muito nisso", afirmou.
Ao encerrar o tema, Sonza enfatizou que suas ações falam mais do que suas palavras. "É sobre o que eu faço, e não sobre o que eu falo que faço. Porque isso o tempo mostra sozinho. Nem que seja depois que eu morrer, as pessoas divulguem todo o meu trabalho por trás das câmeras, as coisas que eu vivi, as coisas que aconteceram", finalizou.
O episódio em Fernando de Noronha
A reflexão de Luísa Sonza foi motivada por um episódio ocorrido em setembro de 2018, na ilha de Fernando de Noronha. A advogada Isabel Macedo de Jesus, que comemorava aniversário em uma pousada onde a cantora se apresentava, afirmou ter sido confundida com uma funcionária do local.
Segundo Isabel, recebeu um pedido para buscar um copo d'água, o que ela atribuiu ao racismo estrutural. Quando o caso veio à tona em 2020, Luísa negou a acusação inicialmente.
Dois anos depois, em 2022, a cantora mudou de posicionamento, publicou um pedido público de desculpas e reconheceu que sua conduta reproduziu uma prática de racismo estrutural, ainda que não tivesse essa intenção. Na ocasião, afirmou que buscaria uma solução amigável para o processo.
Em 2023, as duas chegaram a um acordo, cujos termos permaneceram em sigilo. Após a conciliação, a ação foi arquivada em definitivo.
