Lula afirma que governo usará lei de reciprocidade contra os EUA para mostrar que Brasil 'não é pouca coisa'
Presidente afirma que Brasil foi taxado com base em inverdades e busca conversa com Donald Trump para tratar de eleições brasileiras.
Por Redação Diário Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (14), que pretende aplicar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos para demonstrar que o Brasil "não é pouca coisa". A declaração ocorreu durante entrevistas aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs.
Lula argumentou que as recentes sobretaxas impostas por Washington baseiam-se em inverdades. Segundo o presidente, a medida americana, que alega a compra de produtos com trabalho escravo em outros países, seria, na verdade, um ataque à China.
O presidente manifestou ainda a intenção de conversar diretamente com o presidente norte-americano Donald Trump. O objetivo, segundo Lula, é pedir que o líder dos Estados Unidos "não se meta" nos assuntos do Brasil, especialmente no processo eleitoral brasileiro.
De acordo com o presidente, embora mantenha uma boa relação com o líder americano, ele identifica setores na Casa Branca que estão "atuando contra o Brasil".
O que é a Lei de Reciprocidade?
O governo brasileiro iniciou, nesta quinta-feira (13), um processo para avaliar a adoção de medidas de reciprocidade contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos. O país solicitou a abertura de consultas diplomáticas com o governo norte-americano para tratar do tema.
A abertura do processo não significa a aplicação imediata de novas tarifas pelo Brasil. Nesta fase inicial, o governo busca realizar diálogos com Washington para tentar reduzir ou eliminar tanto os efeitos das medidas americanas quanto as eventuais contramedidas previstas na legislação brasileira.
Entenda a escalada tarifária
Em julho, os Estados Unidos aplicaram uma nova tarifa adicional de até 12,5% sobre produtos de 60 países, incluindo o Brasil. A decisão é fruto de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Para o governo de Washington, os países atingidos não possuem mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O Brasil foi enquadrado na faixa mais alta da medida, recebendo a sobretaxa de 12,5%.
Essa nova cobrança substituiu a alíquota global temporária de 10% e foi somada a uma sobretaxa de 25% que já incidia sobre parte das exportações brasileiras. Com o acúmulo das medidas, determinados produtos do Brasil podem enfrentar taxas de até 37,5% para entrar no mercado norte-americano.
O governo brasileiro contesta as acusações sobre trabalho forçado. Em manifestação enviada ao USTR em junho, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil possui normas internas e compromissos internacionais para combater o trabalho escravo e impedir a entrada de produtos fabricados nessas condições.
