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Literatura

Escritora Mariana Brecht discute ficção climática e urgência ambiental na Flip

Autora de obras que abordam o impacto ambiental participa da edição 2026 da Festa Literária Internacional de Paraty.

Por Redação Diário Local

A escritora, roteirista e pesquisadora Mariana Brecht participa da edição de 2026 da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que segue até este domingo (26). Natural de São Roque (SP), a autora integra o evento trazendo reflexões sobre a urgência ambiental por meio da ficção climática.

Nesta quinta-feira (23), Brecht foi uma das convidadas da mesa intitulada “Fogo e terra: a literatura climática no palco”. Finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura, a autora expressou o desejo de que o debate sobre a crise climática ganhe destaque e atravesse as diversas conversas da mostra literária.

A escritora destaca que a literatura surge não apenas como um registro de colapsos, mas como uma ferramenta de sobrevivência e imaginação. Para ela, é cada vez mais difícil ignorar o tema ambiental, que deve contaminar positivamente diversas áreas de discussão.

O que é a ficção climática?

O termo *Climate Fiction*, ou ficção climática, refere-se a narrativas que abordam os impactos das mudanças ambientais. Segundo Mariana Brecht, escrever sob a perspectiva brasileira traz uma intensidade particular, dado o papel do país no centro do debate ecológico global.

De acordo com a autora, a literatura nacional se desenvolve em meio a cenários complexos. Ela defende que a ficção climática tem a responsabilidade de fomentar imaginários de futuro que considerem a crise como uma realidade presente, buscando inspiração em comunidades indígenas, quilombolas e movimentos como o MST.

Como as obras abordam o tema?

No romance para o público adulto, "Foi Acabar Bem na Nossa Vez", a trama é ambientada no interior de São Paulo em meados da década de 2030. A história explora o conceito de solastalgia, que define a angústia ou o luto causados pela transformação destrutiva do ambiente em que se vive.

A narrativa busca mostrar as consequências práticas da crise ambiental em um cenário quase contemporâneo, evitando distopias distantes. Já na literatura infantojuvenil, a obra "Cyber PANC e Só Zé" propõe uma visão diferente do gênero cyberpunk, apresentando uma cidade de São Paulo onde a tecnologia ajuda a construir uma relação harmônica entre humanos e natureza.

A trajetória de Brecht é marcada pela multidisciplinaridade, unindo a escrita tradicional à experiência no ambiente digital. Ela integrou a equipe de roteiristas de "A Linha", produção em realidade virtual que faturou um prêmio Emmy.

A técnica de construção de universos (*world building*), comum no desenvolvimento de jogos imersivos, é aplicada em seus livros para criar cenários detalhados. Em suas obras, a autora busca trabalhar com o conceito de "esperança ativa", baseada em gestos práticos e coletividade.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.