Met cancela exposição de John Galliano após críticas e sinaliza mudança de poder na moda
Decisão do Metropolitan Museum of Art sobre o estilista ocorre após repercussão negativa e questionamentos sobre o peso de Anna Wintour na instituição
Por Redação Diário Local
O Metropolitan Museum of Art (Met) cancelou a exposição que homenagearia o estilista John Galliano, evento que também seria o tema do Met Gala no próximo ano. A decisão ocorre após uma série de críticas relacionadas ao histórico do designer e ao impacto de sua escolha sobre a influência de Anna Wintour na instituição.
O anúncio original, feito em julho deste ano, gerou repercussão negativa nas redes sociais. Parte do público questionou o "timing" da homenagem, considerando inadequada diante do aumento de episódios de antissemitismo na Europa e nos Estados Unidos.
O histórico de Galliano também foi um ponto central das controvérsias. O estilista já foi alvo de acusações de antissemitismo, enfrentou expulsão de um hotel em Londres e foi desligado da marca Dior em 2011.
Outro fator determinante foi a coincidência de datas. O Met Gala é realizado tradicionalmente na primeira segunda-feira de maio, o que faria com que a próxima edição, em 3 de maio, coincidisse com o Yom HaShoah (Dia da Lembrança do Holocausto e do Heroísmo).
Para evitar o conflito com a data de memória judaica, a organização chegou a estudar o adiamento do tapete vermelho para a semana seguinte. No entanto, o cancelamento da mostra de Galliano acabou sendo a medida adotada pelo museu.
O impacto na influência de Anna Wintour
O episódio é interpretado por especialistas como um sinal de mudança na relação de poder entre o museu e Anna Wintour. A editora-chefe da Vogue entre 1988 e 2025 preside o Met Gala desde 1995 e possui papel central no Costume Institute, departamento de moda do Met.
Durante décadas, a opinião de Wintour foi considerada decisiva nos bastidores da indústria. Segundo a escritora Amy Odell, autora de uma biografia sobre a editora, a decisão do museu envia uma mensagem de que a figura não pode mais agir de forma arbitrária em relação à instituição.
Para Odell, embora a decisão do Met tenha sido correta ao optar por não realizar a exposição, o recuo demonstra que a palavra final de Wintour já não possui o caráter absoluto que detinha anteriormente.
