Bandeirinhas, fogueiras e forró: conheça as origens das tradições das festas de São João
Celebração religiosa ganhou elementos simbólicos ao longo dos séculos, desde rituais de purificação até danças que marcam a cultura nordestina
Por Diário Local
As festas juninas que movem o Brasil, especialmente o Nordeste, guardam histórias profundas enraizadas em séculos de tradição religiosa e cultural. As pequenas bandeirinhas coloridas que enfeitam as celebrações, por exemplo, têm origem em um antigo ritual religioso conhecido como "lavagem dos santos".
Durante as celebrações de junho, imagens de Santo Antônio, São João e São Pedro eram representadas em grandes estandartes coloridos, levados em procissão até rios e outras fontes de água. O costume tinha significado simbólico direto: a água era abençoada e purificada para os banhos dos fiéis, numa referência ao batismo cristão. Com o tempo, esses grandes estandartes foram reduzidos e adaptados, dando origem às bandeirinhas conhecidas atualmente. Em algumas cidades brasileiras, versões desse ritual ainda são preservadas.
As fogueiras e seu significado ancestral
Muito antes de iluminar as festas juninas, a fogueira ocupava papel central em diferentes culturas. Na Antiguidade, era usada em rituais religiosos, associada ao culto de divindades, à proteção contra maus espíritos, à fertilidade das colheitas e ao afastamento de animais. Garantia também algo essencial: calor.
Nas celebrações de São João, ela ganhou significado cristão específico. Segundo a tradição, quando João Batista nasceu, sua mãe, Santa Isabel, acendeu uma fogueira para avisar parentes e amigos sobre o nascimento. Maria, mãe de Jesus e prima de Isabel, teria visto o sinal e ido ao encontro da família. Pular as chamas, por consequência, tornou-se uma forma de atrair sorte, enfrentar desafios e afastar os males.
O forró e a palavra que define a festa
Poucas palavras estão tão associadas às festas juninas quanto "forró". Durante muito tempo, ganhou força a versão de que a palavra teria surgido da expressão inglesa "for all" ("para todos"), usada por estrangeiros que frequentavam festas populares no Nordeste. Essa explicação, porém, não encontra respaldo entre a maioria dos estudiosos da língua e da cultura brasileira.
A explicação mais aceita aponta outra origem: "forró" seria uma simplificação de "forrobodó", termo bastante utilizado no final do século XIX e início do século XX para designar festas populares animadas, geralmente marcadas por música, dança e grande participação popular. A palavra aparece no título da opereta "Forrobodó", sucesso da compositora Chiquinha Gonzaga lançado na década de 1910. Na época, o termo podia ser usado tanto de forma carinhosa quanto preconceituosa para se referir a bailes frequentados pelas camadas populares.
São João Batista: a figura por trás da celebração
João Batista, personagem central do cristianismo, ficou conhecido por batizar Jesus Cristo, desafiar autoridades e acabar executado por suas convicções. Recebeu o título de Batista porque realizava batismos nas águas do Rio Jordão. Foi ele quem batizou Jesus e inúmeros outros seguidores, pregando arrependimento e renovação espiritual.
Sua vida foi marcada pela simplicidade. Os Evangelhos relatam que viveu no deserto, dedicando-se à pregação e alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre. A popularidade de João Batista cresceu rapidamente, mas suas críticas aos governantes da época lhe renderam inimigos poderosos. Ele condenou publicamente atitudes do rei Herodes Antipas, o que levou à sua prisão.
O desfecho é um dos episódios mais conhecidos da tradição cristã. Após um pedido feito por Salomé, filha de Herodíades, mulher ligada a Herodes, João Batista foi condenado à decapitação. A tradição cristã situa sua morte por volta do ano 31 d.C. Diferentemente da maioria dos santos, que costumam ser lembrados na data de sua morte, São João é celebrado em 24 de junho, data tradicionalmente associada ao seu nascimento. É essa comemoração que deu origem às festas juninas.
