A história do mar do Rio e a herança literária de Escobar na Praia do Flamengo
O banho de mar na Praia do Flamengo ganha novo fôlego com a liberação da balneabilidade e conexões com a obra de Machado de Assis
Por Redação Diário Local
A Praia do Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, tem registrado uma frequência maior de banhistas após a liberação de sua balneabilidade. Atualmente, as águas apresentam condições de limpeza quase constantes durante o ano, permitindo o uso da orla como complemento de lazer ao Parque do Flamengo.
O aumento na qualidade da água na região é fruto do desvio das águas do Rio Carioca para o interceptor oceânico de Ipanema. Com essa medida, o fluxo de águas foi direcionado para o alto-mar, integrando os resíduos à massa oceânica em vez de manter o curso natural pela bacia.
A área também conta com o movimento em praias vizinhas, como a Prainha da Glória. O local, que possui vista para o Pão de Açúcar e fica próximo à cabeceira da pista de pouso do Aeroporto Santos Dumont, é procurado pelo visual e pela proximidade com o centro urbano.
A configuração atual do litoral carioca, contudo, é resultado de um longo processo histórico de aterros. Entre as regiões de Ramos e Copacabana, a linha de costa foi alterada por trabalhos de conquista de terra sobre o mar, lagoas, pântanos e manguezais.
Essa mudança na relação entre a cidade e a natureza é refletida em monumentos históricos, como o Museu da República. O prédio, que funcionou como residência do Barão de Nova Friburgo, ocupa um terreno que originalmente era à beira-mar, mas foi construído de forma urbana, de costas para o litoral e separado por um jardim.
Historicamente, o hábito do banho de mar no Rio de Janeiro cresceu de forma lenta a partir do século XIX. No início, as práticas eram voltadas para fins medicinais, como as realizadas por D. João VI em águas calmas na região do Caju.
A relação da população com o mar também é tema da literatura clássica brasileira. No livro Dom Casmurro, de Machado de Assis, o personagem Ezequiel de Souza Escobar é descrito como um morador do Flamengo e um entusiasta do banho de mar.
Na trama, Escobar morre afogado em um dia de forte ressaca nas águas da Praia do Flamengo. A narrativa estabelece contrastes de ocupação entre os bairros, situando Escobar no Flamengo e seu oponente, Bento de Albuquerque Santiago, como morador da Glória.
