Ana Marcela Cunha revela desgaste e fim de parceria com técnico após ouro olímpico
Nadadora relata que cobrança imediata por novos títulos e divergências sobre lesão causaram término de trabalho com Fernando Possenti.
Por Redação Diário Local
A nadadora Ana Marcela Cunha detalhou os motivos que levaram ao fim da parceria com o técnico Fernando Possenti após a conquista do ouro olímpico nos Jogos de Tóquio, em 2021. Segundo a atleta, o desgaste aconteceu devido a cobranças excessivas por novos títulos logo após a vitória máxima e divergências sobre como lidar com uma lesão ocorrida em 2022.
Ana Marcela relatou que um comentário feito pelo treinador imediatamente após a final olímpica foi um momento de ruptura emocional. De acordo com a baiana, ao sair da água em Tóquio, o técnico mencionou a necessidade de vencer o Campeonato Mundial de 10 km, alegando que ela ainda não tinha conquistado o título naquela prova específica.
A nadadora afirmou que a fala impediu que ela desfrutasse plenamente da medalha de ouro. Para a atleta, a abordagem passou a sensação de que a maior conquista de sua carreira foi tratada apenas como uma etapa concluída para o próximo objetivo imediato.
Outro episódio de conflito ocorreu durante uma etapa da Copa do Mundo, em Portugal, no ano de 2022. Na ocasião, Ana Marcela relatou uma dor intensa que a impedia de movimentar o braço, mas afirmou que o técnico interpretou o quadro clínico como falta de dedicação ou "corpo mole".
A atleta explicou que enfrentou um período de três meses utilizando medicamentos fortes para controlar a dor da lesão. Atualmente, ela declarou que consegue analisar o período de forma tranquila e que ambos seguem trajetórias profissionais distintas, desejando o melhor para o ex-parceiro.
Nova fase e preparação física
No momento, a preparação física de Ana Marcela é coordenada por sua esposa, Juliana. A nadadora também destacou que encontra maior motivação em provas de longa distância, como os 25 km, onde soma cinco de seus sete títulos mundiais.
Recentemente, a atleta estabeleceu o recorde sul-americano na travessia do Canal da Mancha, realizada em julho deste ano (24), ao nadar 42,9 km entre a Inglaterra e a França. O desempenho reforça o foco da competidora nos próximos objetivos esportivos.
Com o ciclo olímpico em andamento, Ana Marcela mantém o desejo de competir nos Jogos de Los Angeles, previstos para 2028. A nadadora, que já acumulou participações em Pequim (2008), Rio (2016), Tóquio (2020) e Paris (2024), busca manter o ritmo de excelência em águas abertas.
