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Copa do Mundo

Política e altos preços marcam polêmicas na Copa do Mundo de 2026

Torcedores enfrentaram restrições de visto, custos elevados com ingressos e transporte, além de debates sobre interferência política no torneio.

Por Davy Albuquerque

A Copa do Mundo de 2026 foi marcada por uma série de controvérsias que envolveram desde a política externa dos Estados Unidos até o alto custo de participação para torcedores e equipes. Além do aumento para 48 seleções, o torneio registrou debates sobre restrições de vistos, preços de ingressos e interferências institucionais.

Um dos pontos de maior tensão foi o impacto da política dos Estados Unidos sobre as delegações estrangeiras. A seleção do Irã, por exemplo, enfrentou mudanças no planejamento e precisou realizar sua base de operações no México, apesar de seus jogos da fase de grupos ocorrerem nos Estados Unidos. A delegação teve permissão para permanecer apenas uma noite em solo americano, o que exigiu deslocamentos constantes para o México.

O capitão da equipe iraniana, Mehdi Taremi, criticou a Fifa, alegando que a organização parecia torcer pela eliminação do time. O cenário foi agravado por declarações do Secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, que afirmou ter comemorado a desclassificação do Irã.

Como a política afetou torcedores e profissionais?

As restrições de entrada nos Estados Unidos também atingiram torcedores e profissionais do futebol. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, considerado o principal da África, foi barrado de entrar no território americano e precisou retornar ao seu país antes do início do torneio.

Torcedores de diversas nações, como Haiti, RD Congo, Costa do Marfim, Senegal e Cabo Verde, enfrentaram barreiras para acompanhar os jogos. No caso do Haiti, houve dificuldade com vistos, enquanto torcedores de outros países africanos relataram o pagamento de taxas elevadas para ingressar no país.

Um caso de repercussão foi o da mãe do goleiro Vozinha, de Cabo Verde. Inicialmente impedida de assistir aos jogos devido à falta de recursos para o visto, ela recebeu autorização para entrada gratuita nos jogos seguintes após o atleta se destacar na competição.

O que causou polêmica com os cartões e a Fifa?

No âmbito esportivo, a decisão da Fifa de anular a expulsão do atacante Balogun, dos Estados Unidos, gerou discussões. O jogador havia sido expulso na partida contra a Bósia e deveria cumprir suspensão contra a Bélgica, mas a entidade decidiu liberar sua atuação.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter entrado em contato com o presidente da Fifa para solicitar uma revisão do caso. Contudo, a Fifa declarou que a comunicação não teve influência sobre a decisão técnica de permitir que o atleta jogasse.

A medida foi comparada ao que ocorreu em 1962, quando o brasileiro Garrincha também pôde atuar na final após uma expulsão anterior. Na edição de 2026, os Estados Unidos acabaram derrotados pela Bélgica por 4 a 1, mesmo com a presença de Balogun em campo.

Por que os preços e o clima foram temas centrais?

A gestão financeira do torneio também foi alvo de críticas. A Fifa utilizou o modelo de precificação dinâmica, o que elevou os valores dos ingressos, com opções chegando a quase R$ 60 mil. O modelo gerou investigações por parte de procuradores de Nova York e Nova Jersey.

O custo do transporte também foi considerado proibitivo para muitos, levando a prefeitura de Nova York a firmar acordos com redes de ônibus escolares para tentar viabilizar o deslocamento dos torcedores com preços reduzidos.

Por fim, as condições climáticas trouxeram novos debates. As pausas obrigatórias para hidratação, implementadas para proteger os jogadores do calor, foram questionadas por parte do público, que as via como intervalos comerciais. Além disso, órgãos dos Estados Unidos chegaram a sugerir o adiamento de partidas, como a entre França e Paraguai, devido a temperaturas próximas aos 40ºC.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.