Tarifaço dos EUA atinge US$ 7,2 bilhões de exportações brasileiras, diz ApexBrasil
Nova sobretaxa de 25% dos Estados Unidos alcança parte das vendas brasileiras; São Paulo e Santa Catarina são estados mais afetados.
Por Davy Albuquerque
A sobretaxa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros deve atingir US$ 7,2 bilhões das vendas do Brasil ao mercado americano, informou a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O montante faz parte de um volume total de US$ 38 bilhões que o país exporta para os EUA.
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, classificou a medida como "absurda do ponto de vista comercial". Segundo o executivo, a decisão não possui lógica para quem atua no comércio internacional, conforme declarado durante entrevista coletiva sobre o tema.
A taxação foi anunciada pelos Estados Unidos na noite da última quarta-feira (15), após a conclusão de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana. A medida impõe o aumento da alíquota sobre produtos selecionados.
De acordo com dados da ApexBrasil, o estado de São Paulo deve sofrer o maior impacto financeiro em termos absolutos. A entidade estima que 20% das exportações paulistas para o mercado americano serão afetadas, o que equivale a US$ 3 bilhões.
Em termos proporcionais, o estado de Santa Catarina é o mais impactado, com 65% de suas exportações para os Estados Unidos sofrendo a nova sobretaxa. A instituição informou que trabalhará junto a entidades e empresas americanas para buscar novas isenções.
Quais produtos foram isentos da nova tarifa?
A lista de exceções publicada pelos Estados Unidos incluiu uma ampla relação de itens que não sofrerão o aumento. Entre os produtos isentos estão a celulose, o petróleo bruto, o gás natural, além de aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais.
A nova medida não altera a situação do setor siderúrgico brasileiro. Os produtos deste segmento seguem taxados em 50% para as exportações destinadas aos Estados Unidos.
A ApexBrasil afirmou que pretende ampliar o esforço para aumentar a participação brasileira nos setores que conseguiram isenção. A estratégia inclui focar o trabalho de exportação em produtos como mel e pescados, que não foram atingidos pela sobretaxa.
