Ministério Público investiga Corinthians por pagamentos de R$ 6,9 milhões a empresa de sorteios
Ministério Público de São Paulo apura possíveis crimes após clube admitir falta de controle sobre serviços de empresa responsável pelo Fiel da Sorte
Por Redação Diário Local
O Ministério Público de São Paulo abriu um procedimento investigatório criminal (PIC) para apurar possíveis irregularidades na relação comercial entre o Corinthians e a empresa Incentiva Serviços Combinados, Tecnologia e Marketing. A investigação foca nos pagamentos de mais de R$ 6,9 milhões feitos pelo clube entre agosto de 2023 e abril de 2026 pela gestão do programa Fiel da Sorte.
Segundo o Corinthians, o clube admitiu ao Ministério Público que não exercia controle sobre os serviços prestados pela Incentiva. A diretoria afirmou que a empresa não apresentou os relatórios e as prestações de contas que deveriam fundamentar o cálculo dos pagamentos mensais realizados.
O promotor Cássio Conserino, responsável pela apuração, aponta que o Corinthians manteve os repasses mensais mesmo sem o controle dos serviços. O objetivo da investigação é verificar se houve desvio de dinheiro da entidade esportiva ou a devolução de valores a colaboradores e dirigentes do clube.
Quais crimes são apurados pelo Ministério Público?
A investigação busca verificar a existência de eventuais crimes como estelionato, furto, apropriação indébita, crime tributário, falsidade ideológica e associação criminosa, entre outros delitos relacionados à relação comercial com a empresa de marketing e tecnologia.
O programa Fiel da Sorte, que oferecia sorteios e a funcionalidade de "rabiscadinha" (bilhete digital de raspadinha) para os sócios, teve sua divulgação oficial reduzida drasticamente após abril de 2024. Contudo, os pagamentos à Incentiva continuaram aumentando, indo de R$ 124,4 mil em agosto de 2023 para R$ 343,5 mil em abril de 2026.
O que diz o Corinthians e a empresa envolvida?
O Corinthians pediu a rescisão do contrato com a Incentiva no último mês, alegando que a empresa descumpriu obrigações. O clube busca agora uma indenização de R$ 3 milhões pelo fim antecipado do vínculo, que teria validade até 2028. Em nota, a diretoria afirmou que os pagamentos realizados desde junho de 2025 respeitaram os trâmites legais e contábeis.
A Incentiva Serviços Combinados, Tecnologia e Marketing declarou que não foi comunicada oficialmente sobre a rescisão unilateral do contrato. A empresa informou ainda que a campanha permaneceu operacional, com entregas de serviços realizadas até o final de maio de 2026.
O contrato previa que a empresa recebesse R$ 3,75 por mês para cada sócio adimplente do programa Fiel Torcedor. O aumento no número de associados elevou as parcelas pagas pela instituição, mesmo com a diminuição da visibilidade do programa de sorteios nos canais oficiais.
