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Política

Proposta de iniciativa popular quer reservar 50% das vagas legislativas para mulheres

Projeto de iniciativa popular busca garantir metade das cadeiras em Câmaras e Assembleias para mulheres, com recorte para mulheres negras.

Por Redação Diário Local

Uma proposta de lei complementar de iniciativa popular defende a reserva de 50% das cadeiras em câmaras municipais, assembleias legislativas, na Câmara Legislativa do Distrito Federal e na Câmara dos Deputados para mulheres. O texto também estabelece que, dentro dessa cota feminina, 25% das vagas sejam destinadas a mulheres negras.

A iniciativa é assinada pelo Ministério Público de São Paulo e por entidades como Vote Nelas, Grupo Mulheres do Brasil e Mulheres Negras Decidem. Para protocolar a matéria no Congresso Nacional, o movimento busca arrecadar 1,7 milhão de assinaturas.

As proponentes argumentam que o atual sistema de cotas para candidaturas é insuficiente para garantir a igualdade de gênero. Segundo a justificativa da proposta, a regra vigente não assegura a representatividade, mantendo a presença feminina reduzida nos parlamentos.

O documento aponta que muitos partidos políticos utilizam o modelo atual para lançar candidaturas sem pretensão política real. O objetivo de tais registros seria apenas alcançar o coeficiente numérico exigido pela legislação eleitoral para cumprir a norma.

Por que o modelo de cotas atual é questionado?

As autoras da proposta defendem que a categoria de mulher não deve ser analisada de forma universal. Por isso, sugerem que a transição de cotas de candidaturas para a reserva efetiva de cadeiras é o caminho para corrigir a desigualdade no cenário político.

Para fundamentar o pedido, a proposta utiliza dados demográficos. O texto afirma que as mulheres compõem 51,5% da população brasileira e as mulheres negras representam 27,9%, mas o grupo destaca que as mulheres ocupam cerca de 17% dos cargos legislativos no país.

A argumentação da iniciativa também se baseia no princípio constitucional da igualdade. O texto cita como fundamentos a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre cotas raciais em universidades e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

A proposta busca, por meio da reserva direta de vagas, assegurar que a representação parlamentar seja mais próxima da composição real da sociedade brasileira, combatendo o impacto de candidaturas meramente nominais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.