Corinthians nega entrega de documentos a perito que aponta divergência em dívida com a Caixa
Clube afirma que possui grupo interno e negociações avançadas com a Caixa, após perito sugerir cobrança indevida na Arena.
Por Redação Diário Local
O Corinthians negou o fornecimento de documentos sigilosos ao perito Anísio Costa Castelo Branco para a investigação de possíveis divergências nos cálculos da dívida da Neo Química Arena. O clube afirmou que não entregará novos arquivos ao especialista neste momento e que já mantém um grupo interno dedicado ao tema.
A decisão do diretório alvinegro ocorre após o perito ter afirmado publicamente que receberia extratos e comprovantes do clube para refazer os cálculos. Segundo o especialista, o objetivo era verificar se os novos dados confirmariam as divergências apontadas em sua perícia técnica.
Anísio Castelo Branco chegou a declarar que, com o acesso aos documentos, entregaria um cálculo atualizado ao clube em um prazo de uma ou duas semanas. O especialista sustentou que os números presentes nos autos do processo não lhe trazem confiança e que os valores não coincidem com os apresentados pela Caixa Econômica Federal.
O diretor de Negócios Jurídicos do Corinthians, Pedro Soares, desmentiu a informação sobre a entrega de documentos. O dirigente esclareceu que a única documentação disponibilizada ao perito foi a ata de comparecimento ao Parque São Jorge e a cópia de seu próprio requerimento ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Soares ressaltou que a diretoria está aberta a ouvir o especialista, mas que o clube não fornecerá documentos agora. Ele informou ainda que o Corinthians já possui um grupo responsável pelo assunto e mantém negociações avançadas com a Caixa para buscar uma solução para o débito.
O Corinthians não é obrigado a compartilhar documentos com cláusulas de confidencialidade, conforme informações sobre o financiamento da Arena. O compartilhamento de tais arquivos só ocorreria caso houvesse uma determinação judicial direta.
A desconfiança da diretoria sobre os cálculos de Anísio Castelo Branco baseia-se em dois pontos principais. O primeiro é o fato de o próprio perito ter admitido não ter tido acesso a todos os extratos necessários para a análise.
O segundo motivo é que as contas do estádio já passaram por auditorias de empresas especializadas, como a Ernst & Young, Alvarez & Marsal e KPMG. O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, tem priorizado a resolução da dívida, que é atualmente avaliada em R$ 640 milhões.
Por que o Ministério Público investiga o caso?
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um procedimento para apurar uma possível cobrança indevida da Caixa Econômica Federal ao Corinthians. A investigação surgiu após a representação de Anísio Castelo Branco apontar divergências de aproximadamente R$ 255,75 milhões nos cálculos da dívida.
O promotor Cássio Roberto Conserino, responsável pelo caso, identificou taxas de juros que apresentaram variações extremas. Durante a apuração, foram encontradas taxas que oscilaram de 19% a quase 450% ao mês em parcelas que estavam em atraso no financiamento.
O procedimento tem caráter administrativo e busca esclarecer inconsistências na evolução do saldo devedor e na aplicação de encargos contratuais. A perícia anexada ao processo sustenta que, em 2019, houve uma cobrança judicial de R$ 536,09 milhões.
No entanto, o saldo devedor registrado na época era de cerca de R$ 280,3 milhões. Diante dessa diferença, o promotor levantou a hipótese de que a Arena possa estar quitada, caso as divergências nos cálculos sejam confirmadas pela investigação.
O que diz a Caixa Econômica Federal?
Em nota oficial, a Caixa Econômica Federal negou a existência de qualquer irregularidade no processo de financiamento. O banco afirmou que o contrato firmado com o Corinthians, bem como as renegociações realizadas, seguiram estritamente a legislação vigente.
A instituição financeira declarou ainda que as operações respeitaram as normas do Banco Central e os critérios de governança. O banco mantém o posicionamento de que o cumprimento das regras contratuais e regulatórias foi seguido durante todo o período do financiamento da Neo Química Arena.
