Historiador identifica erro em escudo da seleção da Espanha e causou mudança em uniformes
Especialista notou que símbolo de 2008 continha elementos que remetiam à heráldica francesa, levando à correção em 2013.
Por Davy Albuquerque
O historiador Jaime Salazar identificou um erro no escudo utilizado nas camisas da seleção da Espanha lançadas em 2008. O equívoco no símbolo, que é baseado no brasão da bandeira do país, levou anos para ser corrigido pelas autoridades esportivas.
O erro foi detectado no detalhe do escudo azul central, que apresenta três flores-de-lis amarelas. A falha técnica foi apontada pelo especialista logo após o lançamento do uniforme para o campeonato europeu e o centenário da entidade.
Salazar é especialista em heráldica, a ciência e arte que estuda brasões e símbolos de linhagens. Ele notou que a simbologia utilizada divergiu dos padrões históricos exigidos para o emblema espanhol.
A simbologia das flores-de-lis é compartilhada pelas Casas de Bourbon da França e da Espanha. No entanto, existem distinções fundamentais de design entre os dois modelos que foram ignoradas na produção da camisa.
De acordo com a análise técnica, o escudo francês possui uma parte reta em sua estrutura. Já o desenho oficial da Espanha deve ser inteiramente oval e apresentar um formato de flor com distinções específicas.
A correção do emblema só foi efetivada pela Real Federação Espanhola de Futebol (REFE) e pela Adidas em novembro de 2013. A mudança ocorreu durante a apresentação do uniforme oficial para a Copa do Mundo de 2014.
O ajuste aconteceu quase três anos após o historiador ter enviado uma carta formal a Ángel María Villar. Na época, Villar ocupava o cargo de presidente da federação espanhola.
O documento enviado pelo especialista visava alertar a entidade sobre o equívoco presente no material esportivo. O objetivo era garantir o uso correto do símbolo nacional nos uniformes da seleção.
Como ficou a responsabilidade pelo erro?
O episódio gerou um impasse sobre quem deveria responder pela falha no design do escudo. O então presidente da federação espanhola, Ángel María Villar, direcionou a responsabilidade para a Adidas.
A fabricante de material esportivo, no entanto, apresentou uma justificativa para o ocorrido. A empresa afirmou que utilizou o desenho enviado para a produção pela própria Federação.
Essa divergência de informações revelou que o erro persistiu nos uniformes por um período prolongado. O símbolo incorreto chegou a ser replicado em produtos esportivos em diversos contextos.
A correção definitiva só trouxe segurança para o uso do brasão oficial da Espanha. O caso ressalta a importância do rigor técnico no trato de símbolos que representam a identidade de uma nação.
Com o novo escudo validado para o Mundial de 2014, a federação encerrou o ciclo de uso do modelo equivocado. A mudança garantiu que o uniforme seguisse fielmente as normas da heráldica espanhola.
O caso agora serve como exemplo sobre a necessidade de conferência técnica em materiais de grande alcance global. O erro em símbolos nacionais pode impactar a representatividade de uma seleção em eventos de grande porte.
