Testemunhas dizem que Julio Casares retirava R$ 100 mil em dinheiro do São Paulo por mês
Depoimentos à Polícia Civil e ao Ministério Público detalham retiradas em espécie para supostas ações promocionais e compra de ingressos
Por Diário Local
Testemunhas interrogadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público afirmaram que o ex-presidente do São Paulo, Julio Casares, realizava retiradas de dinheiro em espécie do clube pelo menos uma vez por mês. De acordo com os depoimentos, os valores retirados em envelopes e sacolas giravam em torno de R$ 100 mil.
As declarações fazem parte das investigações de uma Força Tarefa que apura possíveis irregularidades durante a gestão de Casares, ocorrida entre janeiro de 2021 e janeiro de 2026. Duas testemunhas que trabalharam diretamente com o ex-dirigente no clube deram os detalhes sobre a rotina de movimentação financeira.
Segundo os relatos, os valores eram retirados do cofre do setor administrativo do Morumbis e entregues na sala da presidência. As testemunhas mencionaram que as quantias variavam, citando exemplos de R$ 100 mil, R$ 115 mil, R$ 118 mil e R$ 109 mil, dependendo do mês e da finalidade alegada.
Como eram justificadas as retiradas?
De acordo com os depoimentos, os recibos que acompanhavam o dinheiro indicavam que o montante seria destinado a "ações promocionais". Entretanto, as testemunhas afirmaram que não havia explicações sobre quais eram essas ações ou quais resultados elas geravam para o clube.
Outra justificativa mencionada nos depoimentos era a aquisição de ingressos. Uma das pessoas ouvidas informou que, embora houvesse documentos indicando a compra de ingressos para dias de jogos, o São Paulo não possui registros que comprovem essas transações.
Uma das testemunhas relatou que, em algumas ocasiões, os recibos eram assinados pelo próprio Julio Casares ou por Marcio Carlomagno, ex-superintendente geral do São Paulo. O processo envolvia o uso de envelopes lacrados com plástico a vácuo e pastas para o transporte do dinheiro.
O que diz a defesa de Julio Casares?
Procurada, a defesa de Julio Casares enviou uma nota afirmando que todos os valores estão regularmente acautelados na Contadoria do clube. O ex-presidente alegou que as movimentações em espécie são referentes a, no mínimo, 172 jogos do São Paulo disputados em diversas competições.
As investigações também apuram um possível desvio de capitais. Segundo a apuração, foram detectados 35 saques das contas do clube, que somam R$ 11 milhões entre janeiro de 2021 e novembro de 2025. Além disso, o Ministério Público investiga depósitos em dinheiro que totalizam R$ 1,5 milhão em contas de Casares.
Em março deste ano, o Conselho Deliberativo do São Paulo reprovou as contas de 2025. O órgão argumentou que não há justificativa para grande parte dos valores sacados das contas do clube nos últimos anos sob o comando de Casares, apontando que cerca de R$ 7 milhões não possuem comprovação de gastos em um relatório interno.
