Diário Local

Ídolo do Flamengo, Júlio César Uri Geller relembra carreira e missão de acolher ex-atletas

Ex-atacante do Flamengo nos anos 1970 e 1980 conta histórias de sua trajetória e explica o trabalho que realiza acolhendo ex-jogadores em dificuldades.

Por Diário Local

Júlio César Uri Geller, ex-atacante do Flamengo que marcou presença nos anos 1970 e 1980, relembrou sua carreira e a missão que segue realizando no clube rubro-negro. Em participação no ZYB Podcast Esporte Clube, o ídolo contou histórias de sua trajetória dentro de campo e explicou o trabalho que desenvolve atualmente acolhendo ex-atletas que enfrentam dificuldades após a aposentadoria.

Décadas após pendurar as chuteiras, Júlio César mantém vínculo com o Flamengo através de uma iniciativa de acolhimento a antigos jogadores. Sua dedicação é clara: procurar ex-jogadores em situação de rua e trazê-los de volta ao clube. "Meu trabalho no clube é buscar o ex-jogador de futebol na rua. Achei ídolos catando jornal na rua e eu trouxe eles para o clube. Quando se para é difícil", explicou o ex-jogador.

O trabalho de acolhimento reflete as próprias dificuldades que Júlio César enfrentou após deixar o futebol profissional. O ídolo reconhece que a transição entre a vida de atleta e a vida comum é um desafio significativo, o que o motiva a ajudar companheiros da época de ouro do futebol brasileiro.

A curiosa origem do apelido "Uri Geller"

Durante a conversa, Júlio César revelou como recebeu o apelido que o acompanhou por toda a carreira. O nome surgiu das mãos do jornalista João Saldanha, como referência ao ilusionista israelense Uri Geller, conhecido por "entortar" objetos em apresentações. "O João Saldanha gostava muito de mim pela minha maneira de ser, me apelidou assim e pegou. Eu estava dentro de campo entortando corpos", contou o ex-atacante.

O apelido gerou até uma situação inusitada com o próprio Uri Geller, o ilusionista. "O Uri Geller tentou me processar por causa do nome do meu filho, Henrique Geller. Expliquei que era uma homenagem à história dele e à minha. Mandei uma camisa para o museu dele e acabamos ficando amigos", revelou Júlio César, mostrando como a situação se resolveu de forma amistosa.

A amizade com Adílio

Júlio César também dedicou tempo para falar sobre a relação com Adílio, outro ídolo da história do Flamengo. Os dois compartilharam experiências desde os primórdios das carreiras, enfrentando juntos os desafios da profissão. "Adílio também vendia amendoim comigo, tomava conta de carro. A vida toda sempre estivemos juntos", recordou.

A amizade entre os dois transcendeu o campo profissional e as dificuldades econômicas dos primeiros tempos. "Da primeira namorada ao fim da vida dele. Eu e ele somos uma pessoa só. Todo dia eu lembro dele. Que cara fantástico. Ele foi minha vida e meu grande amigo", relembrou com emoção o ex-atacante sobre o companheiro que já faleceu.

O encontro memorável com Maradona

Entre as histórias da carreira, Júlio César recordou um lance inesquecível que envolveu Diego Maradona em seu auge. Em um confronto entre Boca Juniors e Talleres de Córdoba, ele foi vítima de um drible criativo do argentino. "Ele me deu uma caneta no dia da estreia dele pelo Boca Juniors contra o Talleres de Córdoba, que também foi a minha", começou a narrar.

O ex-atacante do Flamengo detalhou o lance que ficou marcado em sua memória. "Inverteram uma bola para ele, eu corri para encontrar com ele na linha de fundo e ele empurrou a bola por baixo da minha perna e cruzou de letra para a área, mas não saiu o gol", explicou, demonstrando a habilidade excepcional de Maradona já em sua estreia pelo time argentino.

A passagem de Júlio César pela carreira coincidiu com o auge do futebol argentino e sul-americano, período no qual enfrentou alguns dos maiores talentos da história do esporte. Apesar de ter defendido outras equipes do Brasil e da Argentina, foi com a camisa rubro-negra que construiu sua maior identificação e deixou seu legado no futebol.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.