Neymar Jr recebe notificação para explicar contratos com empresas de apostas em 10 dias
O Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo quer saber se jogador manterá parcerias com plataformas de apostas
Por Redação Diário Local
O jogador Neymar Jr foi notificado pelo Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (Cindec) para prestar esclarecimentos sobre seus contratos com empresas de apostas. O atleta tem um prazo de 10 dias úteis para informar ao órgão se pretende manter atividades de publicidade, promoção, afiliação ou patrocínio com plataformas de apostas de quota fixa, conhecidas como bets.
A medida integra uma ação preventiva do Cindec sobre a publicidade de plataformas de apostas e a participação de influenciadores e celebridades na promoção desses serviços. O prazo para a resposta começa a contar a partir do recebimento da recomendação pelo jogador.
Quais são os riscos apontados pelo órgão?
A iniciativa baseia-se na Recomendação Cindec nº 01/2026, documento que reúne estudos sobre a regulamentação das apostas online no Brasil. Entre os dados citados pelo órgão, um levantamento indica que 66,8% dos usuários de sites de apostas analisados apresentaram comportamentos de risco ou problemáticos.
O documento também estima que os custos sociais associados aos jogos de azar no país cheguem a R$ 38,8 bilhões por ano, sendo que aproximadamente R$ 30,6 bilhões estariam relacionados à saúde. Outro ponto de atenção é a exposição de menores: segundo o Cindec, 53% das pessoas entre 9 e 17 anos já visualizaram anúncios de jogos de apostas na internet.
O órgão destaca que a associação entre uma personalidade pública e uma plataforma pode transferir credibilidade ao serviço, impactando as decisões do consumidor. Uma pesquisa citada aponta que 57% dos entrevistados afirmaram ter sido influenciados por celebridades no que diz respeito às apostas.
Como funcionam as regras para os contratos?
A notificação não declara a ilegalidade das campanhas nem atribui responsabilidade automática ao jogador. No entanto, caso Neymar opte por manter as parcerias, ele deverá comprovar que os contratos, conteúdos e peças publicitárias seguem os parâmetros e advertências da regulamentação brasileira.
Os critérios de avaliação incluem a proteção de consumidores vulneráveis, a regularidade da publicidade e o modelo de remuneração. O Cindec orienta que as apostas não sejam associadas a conceitos como riqueza, sucesso, felicidade ou solução para problemas financeiros, além de exigir a observância de avisos sobre dependência e perdas.
O Cindec é composto por representantes do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Procon/ES, Polícia Civil, Defensoria Pública e Procuradoria-Geral do Estado. A diretora-geral do Procon/ES, Letícia Coelho, afirmou que o órgão acompanhará as campanhas para adotar medidas em casos de publicidade considerada enganosa ou abusiva.
